﻿{"id":568,"date":"2012-05-04T16:04:59","date_gmt":"2012-05-04T19:04:59","guid":{"rendered":"http:\/\/vitorluiz.6te.net\/?p=568"},"modified":"2012-05-04T16:04:59","modified_gmt":"2012-05-04T19:04:59","slug":"o-gosto-pela-missao-para-que-somos-enviados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vitor.6te.net\/?p=568","title":{"rendered":"O Gosto pela Miss\u00e3o &#8211; para que somos enviados?"},"content":{"rendered":"<p>PARA QUE SOMOS ENVIADOS: PROMO\u00c7\u00c3O DOS VALORES DO REINO DE DEUS<br \/>\n1 &#8211; Isso n\u00e3o \u00e9 o Reino<br \/>\nA enc\u00edclica Redemptoris Missio (RM) nos introduz em um dos objetivos da miss\u00e3o ad gentes, que \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o dos valores do Reino de Deus e de Cristo. Depois de uma minuciosa explica\u00e7\u00e3o sobre a realidade do Reino de Deus, ela toma em considera\u00e7\u00e3o as posi\u00e7\u00f5es atuais que intencionalmente acentuam o Reino de modo a serem chamadas de &#8220;reinoc\u00eantricas&#8221;, mas que deixam muito de lado as outras duas realidades fundamentais de Cristo e da Igreja.<br \/>\n&#8220;Agora &#8211; disse o Papa Jo\u00e3o Paulo II &#8211; n\u00e3o \u00e9 este o Reino de Deus que conhecemos pela Revela\u00e7\u00e3o, o qual n\u00e3o pode ser separado nem de Cristo nem da Igreja. Cristo n\u00e3o s\u00f3 anunciou o Reino, mas tamb\u00e9m que nele o Reino mesmo se fez presente e que chegou para ser cumprido. [&#8230;] Desse modo, o Reino n\u00e3o pode ser separado da Igreja. Certamente esta n\u00e3o \u00e9 o fim em si mesma, j\u00e1 que est\u00e1 orientada para o Reino de Deus, do qual \u00e9 g\u00e9rmen, sinal e instrumento. De fato, ela se distingue de Cristo e do Reino e est\u00e1 unida indissoluvelmente a ambos. Cristo dotou a Igreja, seu corpo, com a plenitude dos bens e meios da salva\u00e7\u00e3o; o Esp\u00edrito Santo mora nela, a vivifica com seus dons e carismas, a santifica, a guia e a renova sem cessar.&#8221; (RM, 18)<br \/>\nAs observa\u00e7\u00f5es de Jo\u00e3o Paulo II na enc\u00edclica podem ser sintetizadas dizendo que n\u00e3o se pode deixar de atuar neste objetivo separando-o dos outros dois, que s\u00e3o a primeira evangeliza\u00e7\u00e3o e a edifica\u00e7\u00e3o da Igreja local. \u00c9 este o problema na atual missiologia que considera mais c\u00f4modo falar do Reino que falar de Cristo e da Igreja, e fazer uma a\u00e7\u00e3o decidida pelo progresso do mundo, mas deixando \u00e0 margem tanto o an\u00fancio quanto a edifica\u00e7\u00e3o da Igreja local.<br \/>\nJo\u00e3o Paulo II resume da seguinte forma:<br \/>\n&#8220;Certamente o Reino exige a promo\u00e7\u00e3o dos bens humanos e dos valores que bem podem se chamar de &#8216;evang\u00e9licos&#8217;, porque est\u00e3o intimamente ligados \u00e0 Boa Nova. Mas esta promo\u00e7\u00e3o, que a Igreja sente tamb\u00e9m muito dentro de si, n\u00e3o deve separar-se nem contrapor-se aos outros compromissos fundamentais que s\u00e3o o an\u00fancio de Cristo e de seu Evangelho, a funda\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento de comunidades que concretizam entre as pessoas a imagem viva do Reino. Com isto, n\u00e3o h\u00e1 porque temer cair numa forma de &#8216;eclesiocentrismo&#8217;.&#8221; (RM, 19)<br \/>\n2 &#8211; Isto sim \u00e9 o Reino<br \/>\nCerta pessoa n\u00e3o-hebr\u00e9ia perguntou ao rabino Josu\u00e9: &#8220;Voc\u00eas t\u00eam dias festivos e n\u00f3s n\u00e3o temos dias festivos. Quando voc\u00eas se alegram n\u00f3s n\u00e3o nos alegramos; e quando n\u00f3s nos alegramos voc\u00eas n\u00e3o se alegram. Mas ent\u00e3o quando poderemos nos alegrar juntos?&#8221;. O rabino Josu\u00e9 respondeu: &#8220;Quando a chuva cair&#8221;.<br \/>\nPara encontrar o momento de contato, de uni\u00e3o, de m\u00fatua alegria, \u00e9 necess\u00e1rio superar as vis\u00f5es estreitas nas quais podemos cair devido \u00e0s nossas cren\u00e7as, ritos e costumes. Estes elementos espec\u00edficos podem nos fazer sentir t\u00e3o diferentes aos demais que n\u00e3o veremos uma base comum na qual podemos nos alegrar juntos. Em troca, esta base nasce. Quando cai a chuva a terra se alegra, a natureza se veste de verde, a vida humana encontra um recurso b\u00e1sico. Chuva \u00e9 vida, vida \u00e9 crescimento, crescimento \u00e9 chegar a ser humano. Ser humano \u00e9 fraternidade, fraternidade \u00e9 justi\u00e7a, justi\u00e7a \u00e9 uma forma de amar que a hist\u00f3ria nos pede hoje para chegarmos a um mundo novo. Um mundo novo pode ser uma maneira de chamar o Reino de Deus.<br \/>\nMas os revolucion\u00e1rios de todos os tempos anunciaram que criariam um mundo novo como fruto de seus esfor\u00e7os. O mundo novo que se chama de Reino n\u00e3o nasce simplesmente de baixo como uma flor silvestre, mas requer uma chuva que vem do alto e que faz poss\u00edvel a germina\u00e7\u00e3o dos valores do Reino no mundo: &#8220;Da mesma forma como a chuva e a neve, que caem do c\u00e9u e para l\u00e1 n\u00e3o voltam sem antes molhar a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, a fim de produzir semente para o semeador e alimento para quem precisa comer, assim acontece com a minha palavra que sai de minha boca: ela n\u00e3o volta para mim sem efeito, sem ter realizado o que eu quero e sem ter cumprido com sucesso a miss\u00e3o para a qual eu a mandei.&#8221; (Isa\u00edas 55, 10-11)<br \/>\n2.1 &#8211; O Reino pode ser visto<br \/>\nOnde est\u00e1 o mundo novo? Por acaso ele pode ser visto? Talvez era isto que pretendia um rabino de uma sinagoga que, ao encontrar-se com um crist\u00e3o, este lhe disse: &#8220;O Messias j\u00e1 chegou e inaugurou o Reino&#8221;. O rabino abriu a janela, olhou para fora e disse: &#8220;N\u00e3o, o mundo est\u00e1 em tal situa\u00e7\u00e3o que o Reino n\u00e3o chegou ainda&#8221;. De certa forma o rabino tem raz\u00e3o. \u00c9 \u00e0s vezes dif\u00edcil reconhecer a presen\u00e7a do Reino em tantas situa\u00e7\u00f5es lament\u00e1veis. Mas isso n\u00e3o significa que o Reino n\u00e3o esteja aqui.<br \/>\nPrecisamente o Evangelho nos fala continuamente do Reino. Os textos que o indicam podem ser divididos em dois grupos:<br \/>\n&#8211; o primeiro que fala do Reino que vir\u00e1: &#8220;O tempo j\u00e1 se cumpriu, e o Reino de Deus est\u00e1 pr\u00f3ximo. Convertam-se e acreditem na Boa Not\u00edcia.&#8221; (Marcos 1, 15), &#8220;venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no c\u00e9u.&#8221; (Mateus 6, 10); &#8220;V\u00e3o e anunciem: \u2018O Reino do C\u00e9u est\u00e1 pr\u00f3ximo\u2019.&#8221; (Mateus 10, 7). Este grupo reflete o sentido de espera que caracteriza Israel.<br \/>\n&#8211; o segundo fala do Reino que est\u00e1 no meio de n\u00f3s: &#8220;Mas se \u00e9 atrav\u00e9s do Esp\u00edrito de Deus que eu expulso os dem\u00f4nios, ent\u00e3o o Reino de Deus chegou para voc\u00eas.&#8221; (Mateus 12, 28). Este grupo se refere a algo novo, extraordin\u00e1rio: o Reino est\u00e1 no meio de n\u00f3s e pode ser visto. Esta \u00e9 a novidade crist\u00e3. Jesus veio anunciar o Reino como uma realidade presente e vis\u00edvel. Seu esfor\u00e7o consistia em fazer enxergar, por sua vida, sua a\u00e7\u00e3o, seus feitos milagrosos e suas par\u00e1bolas, a realidade do Reino. &#8220;Eu vim a este mundo [&#8230;] a fim de que os que n\u00e3o v\u00eaem vejam&#8221; (Jo\u00e3o 9, 39).<br \/>\nUma vez Jesus estava em a\u00e7\u00e3o, curando enfermos, livrava de esp\u00edritos imundos, curava cegos, etc. Neste momento chegaram dois homens enviados por Jo\u00e3o Batista e lhe perguntaram se era ele quem haveria de inaugurar o Reino. Jesus n\u00e3o deu uma resposta direta mais os convidou a ver: &#8220;Voltem, e contem a Jo\u00e3o o que voc\u00eas viram e ouviram: os cegos recuperam a vista, os paral\u00edticos andam, os leprosos s\u00e3o purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e a Boa Not\u00edcia \u00e9 anunciada aos pobres.&#8221; (Lucas 7, 22) Os disc\u00edpulos de Jo\u00e3o obtiveram uma resposta muito concreta; Jesus lhes fez ver o Reino.<br \/>\n2.2 &#8211; O Reino, projeto concebido por Deus Pai<br \/>\nNas 11 vezes que Deus \u00e9 chamado de Pai no Antigo Testamento, se usa o termo Pai de forma metaf\u00f3rica. O Antigo Testamento \u00e9, ent\u00e3o, muito cauteloso quando se trata de designar a Deus como Pai. Isto vale, sobretudo, para as express\u00f5es que indicam uma paternidade f\u00edsica de Deus que s\u00e3o totalmente evitadas, mas tamb\u00e9m para as que indicam ado\u00e7\u00e3o e ainda para as que denotam um uso metaf\u00f3rico da palavra.<br \/>\nEm n\u00edtido contraste com o Antigo Testamento, os evangelhos nos oferecem um testemunho surpreendente e inusitado: Jesus se dirige a Deus chamando-o de Pai e nada menos que por 170 vezes. E nunca o invoca com outro nome em seus momentos de ora\u00e7\u00e3o. Nestes, especialmente, Jesus se dirige a Deus chamando-o de Abba, que quer dizer Papai. N\u00e3o se trata de uma nova met\u00e1fora, mas sim de uma rela\u00e7\u00e3o real e muito especial. Gra\u00e7as a essa rela\u00e7\u00e3o, n\u00f3s sabemos que Deus \u00e9 Pai e gerou um Filho que o chama de Abba.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 a partir da cria\u00e7\u00e3o do mundo mas da gera\u00e7\u00e3o do Filho que podemos reconhecer a Deus como um papai e de quem podemos dizer que \u00e9 tamb\u00e9m mam\u00e3e por seu servi\u00e7o \u00e0 vida. Deste Pai somos tamb\u00e9m n\u00f3s filhos no sentido que Paulo explica: &#8220;E voc\u00eas [&#8230;] receberam um Esp\u00edrito de filhos adotivos, por meio do qual clamamos: Abba! Pai! &#8221; (Romanos 8, 15) e nos leva a receber a vida que nos quer dar em virtude do grande amor com o qual nos amou (Ef\u00e9sios 2, 4-6). Comunicar plenamente esta vida a toda a humanidade \u00e9 sua vontade, seu desejo, seu plano, seu projeto. Este projeto de vida, em favor de todas as pessoas, \u00e9 o Reino.<br \/>\nA palavra expressa de forma sucinta tudo o que Deus tem em mente para a humanidade; o quanto Ele quer realizar com sua pot\u00eancia na hist\u00f3ria; \u00e9 a plena express\u00e3o do amor de um pai e de uma m\u00e3e para o ser humano, seu filho; \u00e9 a irrup\u00e7\u00e3o plena da vida e da bondade com a supera\u00e7\u00e3o da morte e do mal; \u00e9 uma ordem nova que a a\u00e7\u00e3o amorosa de Deus introduziu no mundo com uma interven\u00e7\u00e3o gratuita e definitiva.<br \/>\nPara compreender algo a mais do projeto do Reino, podemos fazer uma compara\u00e7\u00e3o entre a sua elabora\u00e7\u00e3o e a elabora\u00e7\u00e3o de tantos projetos que, em dimens\u00f5es pequenas ou gigantes, realizamos em nossa vida de cada dia.<br \/>\nQuando queremos fazer um projeto, come\u00e7amos pensando, imaginando, criando, talvez solicitados por uma realidade desafiante. Assim chegamos a ter na mente e no cora\u00e7\u00e3o algo claro, segundo o que nos propusemos. Concebemos o projeto. Mas ent\u00e3o se deve passar para a fase de formula\u00e7\u00e3o. O projeto requer que seja delineado, esbo\u00e7ado com palavras e imagens claras e precisas para que todos os interessados possam entender e julg\u00e1-lo. A express\u00e3o \u00e9 fundamental. No final, o projeto deve ser concretizado para que n\u00e3o fique, como tantos projetos, somente em palavras escritas de um documento.<br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o ao projeto do Reino, o Pai, a partir de seu amor infinito, concebe um projeto de vida em favor de toda a humanidade: o Reino. Este projeto deve ser expressado, formulado, delineado. Pois bem, este projeto tem sua formula\u00e7\u00e3o ou express\u00e3o na Palavra, no Verbo, o Filho eterno de Deus. O projeto do Reino encontra no Filho a imagem perfeita, a express\u00e3o mais fiel.<br \/>\nO Reino n\u00e3o somente deve ser formulado, mas tamb\u00e9m exige sua realiza\u00e7\u00e3o. O Filho, sendo a imagem perfeita do projeto, \u00e9 tamb\u00e9m seu realizador com a for\u00e7a amorosa e ativa do Esp\u00edrito Santo. O Filho e o Esp\u00edrito Santo t\u00eam, cada um \u00e0 sua maneira, a miss\u00e3o de realizar o Reino de Deus. Por isso, Irineu de Lyon dizia que Deus trabalha com duas m\u00e3os: o Filho e o Esp\u00edrito Santo. Com essas duas m\u00e3os, o Pai quis realizar o projeto do Reino na hist\u00f3ria da humanidade.<br \/>\nO projeto do Pai, \u00e0 semelhan\u00e7a de outros projetos, tem de ser concebido, formulado e realizado. Se nos detemos na terceira etapa, isto \u00e9, na realiza\u00e7\u00e3o, podemos descobrir duas grandes etapas:<\/p>\n<ol>\n<li>a primeira compreende a cria\u00e7\u00e3o da humanidade e a forma\u00e7\u00e3o de um povo que, como cabe\u00e7a da ponte, fosse ponto de apoio seguro para acolher o dom do Reino. \u00c9 importante notar que esta primeira etapa se realiza olhando para o projeto em sua express\u00e3o perfeita: o Filho. Este era a imagem segundo a qual se realiza a primeira etapa. A humanidade foi criada e o povo de Deus foi formado \u00e0 imagem do Filho. Ent\u00e3o, as partes do Filho podem ser encontradas em toda a humanidade. Nem sempre a humanidade sabe o que tem; nem sempre \u00e9 capaz de ver o rosto deste Filho, deste Verbo que toma forma nela, que est\u00e1 a\u00ed, em forma germinal, \u00e0s vezes latente, mas suscet\u00edvel de ser visto.<\/li>\n<li>a segunda etapa \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o do Reino a partir de sua inaugura\u00e7\u00e3o definitiva e que tem lugar com a glorifica\u00e7\u00e3o (encarna\u00e7\u00e3o, vida, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o) de Cristo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>2.3 &#8211; O Reino e a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo<br \/>\nO Reino come\u00e7a efetivamente com a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo. Testemunhas da ressurrei\u00e7\u00e3o foram muitas: uma delas exp\u00f4s seu testemunho em forma narrativa e po\u00e9tica fazendo um dos hinos mais belos sobre a experi\u00eancia de Jesus. \u00c9 uma composi\u00e7\u00e3o que reflete o tamanho da convic\u00e7\u00e3o dos primeiros crist\u00e3os, que estavam dispostos a sofrer o mart\u00edrio por n\u00e3o renegar esta verdade.<br \/>\nPaulo ap\u00f3stolo apresenta este hino na carta aos crist\u00e3os de Filipos. A obra tem duas partes que indicam as duas fases pelas quais passou o Filho de Deus feito homem.<br \/>\na)\u00a0\u00a0 \u00a0primeira fase:<br \/>\n&#8220;Ele tinha a condi\u00e7\u00e3o divina, mas n\u00e3o se apegou a sua igualdade com Deus. Pelo contr\u00e1rio, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condi\u00e7\u00e3o de servo e tornando-se semelhante aos homens. Assim, apresentando-se como simples homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente at\u00e9 a morte, e morte de cruz!&#8221; (Filipenses 2, 6-8)<br \/>\nb)\u00a0\u00a0 \u00a0segunda fase:<br \/>\n&#8220;Por isso, Deus o exaltou grandemente, e lhe deu o Nome que est\u00e1 acima de qualquer outro nome; para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho no c\u00e9u, na terra e sob a terra; e toda l\u00edngua confesse que Jesus Cristo \u00e9 o Senhor, para a gl\u00f3ria de Deus Pai.&#8221; (Filipenses 2, 9-11)<br \/>\nA primeira parte do hino se refere \u00e0 realidade de Jesus antes da P\u00e1scoa; a segunda se refere \u00e0 realidade ap\u00f3s a P\u00e1scoa. Na primeira parte se fala de aniquilamento; na segunda, de exalta\u00e7\u00e3o. A primeira parte concluiu gerando enorme confus\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos; a segunda os encheu de luz. E pouco a pouco, a partir da ressurrei\u00e7\u00e3o, os disc\u00edpulos compreendem que Jesus \u00e9 o Cristo, o Filho de Deus, o Senhor.<br \/>\nDeus o ressuscitou. A morte foi derrotada. Houve uma transforma\u00e7\u00e3o radical da realidade terrestre de Jesus. Brota uma nova vida como supera\u00e7\u00e3o do mal, da crucifica\u00e7\u00e3o, da morte. O Reino de Deus em plenitude come\u00e7ou efetivamente em Cristo. A ressurrei\u00e7\u00e3o quer dizer a plena realiza\u00e7\u00e3o de Deus na vida de Jesus Cristo. Deus realizou o seu projeto do Reino no seu enviado Jesus. Ele \u00e9 o verdadeiro come\u00e7o do Reino e tamb\u00e9m o ponto de chegada de toda a humanidade. Toda ela caminha at\u00e9 o Reino inaugurado plenamente em Cristo. Nele houve o que em todos n\u00f3s haver\u00e1 de ser uma realidade. Ele \u00e9 a meta de tudo, alcan\u00e7ada antecipadamente.<br \/>\nA ressurrei\u00e7\u00e3o tornou real, evidente tudo o que estava escondido: que Cristo atuava no mundo desde o come\u00e7o (G\u00eanesis 1, 2) para levar o ser humano e toda a cria\u00e7\u00e3o \u00e0 plenitude do Reino (Colossenses 1, 16-20). O Reino da vida nova, que \u00e9 reconcilia\u00e7\u00e3o, fraternidade, liberdade para a comunh\u00e3o, se converte na voca\u00e7\u00e3o de toda pessoa enquanto pessoa. Sendo j\u00e1 uma realidade em Cristo ressuscitado, vai se tornando tamb\u00e9m uma realidade em cada \u00e9poca e em cada ser humano e povo da terra, com a orienta\u00e7\u00e3o inspiradora do Esp\u00edrito.<br \/>\n3 &#8211; Jesus de Nazar\u00e9, modelo e paradigma do Reino<br \/>\n3.1 &#8211; Jesus, proclamador do Reino<br \/>\nO evangelho de Jesus \u00e9 o crit\u00e9rio seguro para discernir a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito que conduz ao Reino. O motivo \u00e9 que o Evangelho nos apresenta Cristo como proclamador do Reino e como aquele em quem o Reino se realiza plenamente. \u00c9 necess\u00e1rio ent\u00e3o olhar atentamente para Jesus de Nazar\u00e9, com os olhos e com a vida, para aprender a ver o Reino, para descobrir a presen\u00e7a do Reino nas a\u00e7\u00f5es das pessoas conduzidas pelo Esp\u00edrito.<br \/>\nJesus n\u00e3o veio pregar a si mesmo mas sim pregar o Reino de Deus. Quem o escutava ficava assombrado por sua doutrina, porque ensinava como quem tem autoridade e n\u00e3o como os escribas (Marcos 1, 22). Em Nazar\u00e9, onde ele se criou, &#8220;todos aprovavam Jesus, admirados com as palavras cheias de encanto que sa\u00edam da sua boca.&#8221; (Lucas 4, 22). Nem todos se assombravam positivamente. Alguns reagiam de forma negativa: &#8220;Por que este homem fala assim? Ele est\u00e1 blasfemando!&#8221; (Marcos 2, 7), &#8220;impostor&#8221; (Mateus 27, 63), &#8220;N\u00e3o temos raz\u00e3o de dizer que \u00e9s um samaritano e que est\u00e1s louco?&#8221; (Jo\u00e3o 8, 48).<br \/>\nEra uma miss\u00e3o \u00e1rdua pois se tratava de apresentar uma realidade muito diferente da desejada pelos judeus que esperavam a monarquia a favor de Israel (Atos 1, 6). Se tratava de inaugurar um Reino Novo, fruto da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito e do an\u00fancio do Evangelho. Nesta miss\u00e3o de proclama\u00e7\u00e3o, Jesus era incans\u00e1vel: &#8220;Devo anunciar a Boa Not\u00edcia do Reino de Deus tamb\u00e9m para as outras cidades, porque para isso \u00e9 que fui enviado.&#8221; (Lucas 4, 43)<br \/>\n3.2 &#8211; Jesus, realizador de sinais do Reino<br \/>\nJesus n\u00e3o anunciava o Reino s\u00f3 com palavras, mas tamb\u00e9m com as a\u00e7\u00f5es concretas. Suas obras e milagres, suas atitudes, seus gestos, colocavam em evid\u00eancia os diversos aspectos do Reino e indicavam o caminho (Jo\u00e3o 14, 6) para alcan\u00e7\u00e1-lo. Quando Jesus curou o cego de nascimento (Jo\u00e3o 9, 1-7), n\u00e3o s\u00f3 fez uma obra boa a esta pessoa, mas tamb\u00e9m quis revelar, atrav\u00e9s do milagre, o sentido de sua vinda: &#8220;Eu vim a este mundo para um julgamento, a fim de que os que n\u00e3o v\u00eaem vejam, e os que v\u00eaem se tornem cegos.&#8221; (Jo\u00e3o 9, 39)<br \/>\nAs obras de Jesus iluminam as diversas facetas do Reino, mas h\u00e1 algo a mais. Como bem mostra a enc\u00edclica Redemptoris Missio:<br \/>\n&#8220;Jesus em pessoa \u00e9 a Boa Nova, como ele mesmo afirma no come\u00e7o de sua miss\u00e3o na sinagoga de Nazar\u00e9, aplicando a si as palavras de Isa\u00edas relativas ao Ungido, enviado pelo Esp\u00edrito do Senhor (cf. Lucas 4, 14-21). Ao ser ele a Boa Nova, existe em Cristo plena identidade entre mensagem e mensageiro, entre dizer, agir e ser. Sua for\u00e7a, o segredo da efic\u00e1cia da sua a\u00e7\u00e3o consiste na identifica\u00e7\u00e3o total com a mensagem que anuncia; proclama a Boa Nova n\u00e3o s\u00f3 com o que diz ou faz, mas tamb\u00e9m com o que \u00e9.&#8221; (RM, 13).<br \/>\n4 &#8211; Caracter\u00edsticas, exig\u00eancias e din\u00e2mica do Reino<br \/>\n4.1 &#8211; Caracter\u00edsticas do Reino<br \/>\nA)\u00a0\u00a0 \u00a0A primeira caracter\u00edstica do Reino \u00e9 a de gerar filhos de Deus (Jo\u00e3o 1, 12) que t\u00eam com o Pai uma rela\u00e7\u00e3o de filia\u00e7\u00e3o, amor e confian\u00e7a tais que s\u00f3 podem ser expressas com a palavra familiar Papai (Abba). Este aspecto vertical do Reino se traduz logo &#8211; em n\u00edvel horizontal &#8211; numa rela\u00e7\u00e3o especial entre os filhos do Reino que se convertem em verdadeiros irm\u00e3os.<br \/>\nB)\u00a0\u00a0 \u00a0\u00c9 um Reino da vida, porque o enviado do Pai, Jesus, veio &#8220;para que todo o que nele acredita n\u00e3o morra, mas tenha a vida eterna&#8221; (Jo\u00e3o 3, 16). Mas n\u00e3o se trata de uma vida que se adquire depois da morte, no futuro como afirmava Marta seguindo a cren\u00e7a judaica (Jo\u00e3o 11, 25). \u00c9 uma vida que se adquire no presente, pois o Reino de Deus j\u00e1 se fez presente em Cristo (Lucas 17, 21).<br \/>\nC)\u00a0\u00a0 \u00a0\u00c9 um Reino de &#8220;justi\u00e7a, paz e gozo no Esp\u00edrito&#8221; (Romanos 14, 17). Se trata de tr\u00eas termos usados por S\u00e3o Paulo e que aparecem em diversas partes do Evangelho (Mateus 5, 10; 13, 44; Jo\u00e3o 20, 19-20).<br \/>\nD)\u00a0\u00a0 \u00a0O Reino de Deus \u00e9 um Reino de servi\u00e7o. N\u00e3o se assemelha em nada aos reinos das na\u00e7\u00f5es onde os reis devem ser servidos. Jesus declara aos seus disc\u00edpulos: &#8220;Estou no meio de voc\u00eas como aquele que serve&#8221; (Lucas 22, 27).<br \/>\nE)\u00a0\u00a0 \u00a0O Reino de Deus \u00e9 um Reino de solidariedade e comunh\u00e3o especialmente com o pobre. \u00c9 um Reino onde n\u00e3o se pode acumular para si e trazer preju\u00edzo aos demais. &#8220;\u00c9 mais f\u00e1cil passar um camelo pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus!&#8221; (Marcos 10, 25).<br \/>\nF)\u00a0\u00a0 \u00a0O Reino de Deus \u00e9, portanto, um Reino de fraternidade. Quando um escriba diz que est\u00e1 de acordo com Jesus sobre o maior mandamento do amor a Deus e ao pr\u00f3ximo, Jesus conclui: &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 distante do Reino de Deus&#8221; (Marcos 12, 34). Disse a enc\u00edclica Redemptoris Missio: &#8220;O Reino tende a transformar as rela\u00e7\u00f5es humanas e se realiza progressivamente, \u00e0 medida que os homens aprendem a amar-se, a perdoar-se, e a servir-se mutuamente. [&#8230;] Portanto, a natureza do Reino \u00e9 a comunh\u00e3o de todos os seres humanos entre si e com Deus&#8221; (RM, 15).<br \/>\n4.2 &#8211; Exig\u00eancias do Reino<br \/>\nA)\u00a0\u00a0 \u00a0Uma exig\u00eancia fundamental do Reino \u00e9 a convers\u00e3o. Esta significa nascer de novo porque &#8220;quem n\u00e3o nascer da \u00e1gua e do Esp\u00edrito n\u00e3o poder\u00e1 entrar no Reino de Deus&#8221; (Jo\u00e3o 3, 5).<br \/>\nB)\u00a0\u00a0 \u00a0Jesus se dirigiu aos 72 disc\u00edpulos e lhes enviou para as cidades: &#8220;Curem os enfermos que houver e digam: &#8216;O Reino de Deus est\u00e1 pr\u00f3ximo de voc\u00eas&#8217;.&#8221; (Lucas 10, 9). Esta indica\u00e7\u00e3o expressa a exig\u00eancia do amor para se aproximar do Reino. &#8220;Venham voc\u00eas, que s\u00e3o aben\u00e7oados por meu Pai. Recebam como heran\u00e7a o Reino que meu Pai lhes preparou desde a cria\u00e7\u00e3o do mundo. Pois eu estava com fome, e voc\u00eas me deram de comer; eu estava com sede, e me deram de beber [&#8230;]&#8221; (Mateus 25, 34 e seguintes).<br \/>\nC)\u00a0\u00a0 \u00a0O amor do qual se fala \u00e9 um que se traduz por feitos e n\u00e3o s\u00f3 por palavras. N\u00e3o basta falar (Mateus, 21, 28-29), nem mesmo \u00e9 suficiente escutar a palavra de Deus para entrar no Reino. \u00c9 necess\u00e1rio colocar esta palavra em pr\u00e1tica. Quem faz assim \u00e9 como o homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha (Mateus 7, 24).<br \/>\nD)\u00a0\u00a0 \u00a0O Reino exige que essa a\u00e7\u00e3o seja feita em si mesmo para remover tudo o que pode ser um obst\u00e1culo ao Reino. Este \u00e9 como uma p\u00e9rola de grande valor; quando algu\u00e9m a encontra, vai, vende tudo o que tem e a compra (Mateus 13, 45-46). Esta ren\u00fancia n\u00e3o conhece limites, pois o Reino \u00e9 superior a qualquer outra coisa. &#8220;Se o seu olho \u00e9 ocasi\u00e3o de esc\u00e2ndalo para voc\u00ea, arranque-o. \u00c9 melhor voc\u00ea entrar no Reino de Deus com um olho s\u00f3, do que ter os dois olhos e ser jogado no inferno&#8221; (Marcos 9, 47). O Reino \u00e9 superior a tudo. Deve-se buscar primeiro o Reino de Deus e sua justi\u00e7a (Mateus 7, 33) que n\u00e3o \u00e9 a justi\u00e7a dos fariseus, insuficiente para entrar no Reino (Mateus 5, 19). A ren\u00fancia se estende aos seres queridos quando se deve escolher entre eles e o Reino (Lucas 9, 59-61).<br \/>\nE)\u00a0\u00a0 \u00a0O Reino n\u00e3o \u00e9 fruto da cria\u00e7\u00e3o humana, \u00e9 dom do Pai. Por isso, deve ser recebido como um dom e para isso \u00e9 necess\u00e1ria a pureza da crian\u00e7a: &#8220;Deixem as crian\u00e7as vir a mim. N\u00e3o lhes pro\u00edbam, porque o Reino de Deus pertence a elas. Eu garanto a voc\u00eas: quem n\u00e3o receber como crian\u00e7a o Reino de Deus, nunca entrar\u00e1 nele.&#8221; (Marcos 10, 14-15)<br \/>\n4.3 &#8211; Din\u00e2mica do Reino<br \/>\nUma vez que o Reino n\u00e3o se ergue a partir dos crit\u00e9rios deste mundo, ele tem uma din\u00e2mica pr\u00f3pria e original.<br \/>\nA)\u00a0\u00a0 \u00a0Em primeiro lugar, o Reino tem o seu pr\u00f3prio tempo e seu pr\u00f3prio ritmo. Tem seu tempo para esperar e seu tempo para atuar, seu tempo para ser paciente e seu tempo para julgar. Por isso, deixa crescer o joio junto com o trigo, para n\u00e3o prejudicar o trigo. Chegar\u00e1 o tempo da colheita e ent\u00e3o o joio ser\u00e1 separado para ser queimado e o trigo ir\u00e1 para o celeiro (Mateus 13, 24-30).<br \/>\nB)\u00a0\u00a0 \u00a0O Reino tem uma forma especial de conceber a ordem que n\u00e3o deixa de trazer o espanto. Uma nova cria\u00e7\u00e3o procede com novos crit\u00e9rios que n\u00e3o coincidem com os crit\u00e9rios puramente jur\u00eddicos. &#8220;\u2018Amigo, eu n\u00e3o fui injusto com voc\u00ea. N\u00e3o combinamos uma moeda de prata? Tome o que \u00e9 seu, e volte para casa. Eu quero dar tamb\u00e9m a esse, que foi contratado por \u00faltimo, o mesmo que dei a voc\u00ea.&#8221; (Mateus 20, 13-16)<br \/>\nC)\u00a0\u00a0 \u00a0H\u00e1 uma prefer\u00eancia especial para os marginalizados. Por isso, o Reino se assemelha ao homem que promoveu uma grande ceia e fez entrar os pobres e aleijados, mancos e cegos (Lucas 14, 21). Tamb\u00e9m pregava essa prefer\u00eancia o ap\u00f3stolo Paulo: &#8220;Portanto, irm\u00e3os, voc\u00eas que receberam o chamado de Deus, vejam bem quem s\u00e3o voc\u00eas: entre voc\u00eas n\u00e3o h\u00e1 muitos intelectuais, nem muitos poderosos, nem muitos de alta sociedade. Mas, Deus escolheu o que \u00e9 loucura no mundo, para confundir os s\u00e1bios; e Deus escolheu o que \u00e9 fraqueza no mundo, para confundir o que \u00e9 forte. E aquilo que o mundo despreza, acha vil e diz que n\u00e3o tem valor, isso Deus escolheu para destruir o que o mundo pensa que \u00e9 importante&#8221; (1 Cor\u00edntios 1, 26-28). Nesta linha de prefer\u00eancia est\u00e3o tamb\u00e9m os pecadores, e assim n\u00e3o \u00e9 estranho deixar as noventa e nove ovelhas no deserto para buscar aquela que se perdeu at\u00e9 encontr\u00e1-la (Lucas 15, 4), nem \u00e9 estranho matar o novilho cevado porque o filho perdido foi encontrado s\u00e3o (Lucas 15, 30-32).<br \/>\nD)\u00a0\u00a0 \u00a0Esta prefer\u00eancia pelo pobre, pelo fraco e pelo marginalizado n\u00e3o significa que o Reino n\u00e3o seja de todos, mas sim que come\u00e7a sempre do pequeno, do fraco, e que quer alcan\u00e7ar a todos. \u00c9 como o gr\u00e3o de mostarda: &#8220;Embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E se torna uma \u00e1rvore, de modo que os p\u00e1ssaros do c\u00e9u v\u00eam e fazem ninhos em seus ramos&#8221; (Mateus 13, 31-32). Todos est\u00e3o convidados para o grande banquete do Reino (Mateus 22, 1) porque \u00e9 um Reino universal. Est\u00e1 convidado o judeu Nicodemos (Jo\u00e3o 3, 1-10), a mulher samaritana (Jo\u00e3o 4, 1-40) e o funcion\u00e1rio do rei (Jo\u00e3o 4, 46-54). N\u00e3o h\u00e1 privil\u00e9gios nem de ra\u00e7a, nem de cultura, nem de proveni\u00eancia.<br \/>\n4.4 &#8211; Polaridades do Reino<br \/>\nA Terra tem dois p\u00f3los que chamamos de sul e norte e n\u00e3o poderia se pensar nela sem um dos dois. Igualmente o Reino tem seus p\u00f3los, mas, diferentemente da Terra que tem s\u00f3 um par, pode-se considerar que o Reino tem quatro pares. O problema levantado por Jo\u00e3o Paulo II ao falar do Reino \u00e9 precisamente que muitas vezes se esquece de algum dos p\u00f3los ou mesmo de algum dos membros de um p\u00f3lo.<br \/>\nEstes quatro pares s\u00e3o estes, segundo a enc\u00edclica Redemptoris Missio, com seus respectivos p\u00f3los:<br \/>\nA)\u00a0\u00a0 \u00a0O Reino \u00e9 o plano de Deus:<br \/>\na.\u00a0\u00a0 \u00a0plenamente realizado em Cristo;<br \/>\nb.\u00a0\u00a0 \u00a0que ser\u00e1 realizado plenamente na humanidade e, portanto, a Igreja o anuncia.<br \/>\nB)\u00a0\u00a0 \u00a0O Reino:<br \/>\na.\u00a0\u00a0 \u00a0j\u00e1 chegou: esse an\u00fancio era novo e especial;<br \/>\nb.\u00a0\u00a0 \u00a0ainda n\u00e3o chegou plenamente: da\u00ed que se espera e se clama para que o Reino venha a n\u00f3s.<br \/>\nC)\u00a0\u00a0 \u00a0O Reino tem dimens\u00e3o:<br \/>\na.\u00a0\u00a0 \u00a0transcendente, de modo que \u00e9 Reino de Deus e v\u00eam de Deus;<br \/>\nb.\u00a0\u00a0 \u00a0hist\u00f3rica, de modo que o Reino \u00e9 vis\u00edvel, est\u00e1 no meio de n\u00f3s.<br \/>\nD)\u00a0\u00a0 \u00a0Em rela\u00e7\u00e3o aos povos:<br \/>\na.\u00a0\u00a0 \u00a0h\u00e1 um povo escolhido para revelar esse des\u00edgnio de amor que \u00e9 o Reino;<br \/>\nb.\u00a0\u00a0 \u00a0o Reino est\u00e1 destinado a todos, e todos s\u00e3o chamados a ser seus membros. Por isso Jesus se aproximou de maneira especial daqueles que estavam na margem da sociedade, dando a eles a sua prefer\u00eancia.<br \/>\nSe algum desses pares ou p\u00f3los for eliminado, se deforma a realidade do Reino e vale novamente a express\u00e3o da enc\u00edclica mencionada: isso n\u00e3o \u00e9 o Reino. Seria um reino humano, ou um reino de Deus sem Cristo, ou um reino de Cristo sem Igreja, mas n\u00e3o o Reino de Deus que em Cristo tem a sua realiza\u00e7\u00e3o e na Igreja o seu instrumento, isto \u00e9, seu sacramento.<br \/>\n4.5 &#8211; O Esp\u00edrito e o Reino<br \/>\nTodos os povos se encaminham para o Reino movidos pelo Esp\u00edrito Santo. De fato, o Esp\u00edrito Santo \u00e9 a a\u00e7\u00e3o de Deus no cora\u00e7\u00e3o das pessoas. Ele atua fazendo-as atuarem. N\u00e3o tem uma a\u00e7\u00e3o isolada. Sua a\u00e7\u00e3o tem lugar na mesma a\u00e7\u00e3o das pessoas. O Esp\u00edrito Santo faz brotar o mais pessoal, original e \u00fanico de cada pessoa para o servi\u00e7o do Reino (cf. 1 Cor\u00edntios 2, 12-13). A a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito \u00e9 o desenvolvimento de toda pessoa at\u00e9 a sua plenitude, na multiplicidade e originalidade de cada ser humano.<br \/>\nO Esp\u00edrito personaliza, atualiza a pot\u00eancia de cada pessoa, renova a pessoa e converte-a em a\u00e7\u00e3o m\u00faltipla e original para a vinda plena do Reino em toda a humanidade. Cada a\u00e7\u00e3o originada pelo Esp\u00edrito faz parte de uma grande cadeia de a\u00e7\u00f5es cujo conjunto se chama de hist\u00f3ria dos povos em marcha para o Reino.<br \/>\nCada vez que o homem busca o bem, a justi\u00e7a, a liberdade, a solidariedade, a comunh\u00e3o, o entendimento m\u00fatuo, nesse momento se pode ver a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. Ali onde o ser humano constr\u00f3i a fraternidade e um mundo mais humano e onde se abre para um transcendente que considera ser o sentido \u00faltimo e norma de sua vida, ali o Esp\u00edrito atua e a sua a\u00e7\u00e3o pode ser vista. Vale ressaltar que esta realidade do Esp\u00edrito que atua n\u00e3o \u00e9 monop\u00f3lio de nenhuma religi\u00e3o, povo ou sociedade; o Esp\u00edrito faz maravilhas em todo tempo e lugar.<br \/>\nAli onde h\u00e1 pessoas que se comprometem com os valores mais sublimes como a fidelidade, a dedica\u00e7\u00e3o, a justi\u00e7a para todos, a paz e a fraternidade, a vida sem distin\u00e7\u00f5es, a verdade, ali est\u00e1 o Esp\u00edrito atuando nelas e atrav\u00e9s delas. No tempo certo seus olhos se abrir\u00e3o e se dar\u00e3o conta de que estavam colaborando na constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. De fato, se queremos compreender cada vez mais a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito e, sobretudo, se queremos v\u00ea-la em nossa hist\u00f3ria como constru\u00e7\u00e3o do Reino, ent\u00e3o n\u00f3s temos de deixar-nos guiar pelo Evangelho, crit\u00e9rio seguro de discernimento.<br \/>\nA verdade \u00e9 que em todo tempo e lugar, em todo povo e na\u00e7\u00e3o, os valores do Evangelho v\u00e3o florescendo gra\u00e7as \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. A enc\u00edclica Redemptoris Missio pode sintetizar muito bem esta a\u00e7\u00e3o universal do Esp\u00edrito em favor do Reino:<br \/>\n&#8220;A presen\u00e7a e a atividade do Esp\u00edrito n\u00e3o afetam unicamente os indiv\u00edduos, mas tamb\u00e9m a sociedade, a hist\u00f3ria, os povos, as culturas e as religi\u00f5es. De fato, o Esp\u00edrito est\u00e1 na origem dos ideais nobres e das iniciativas de bem da humanidade em caminho; com admir\u00e1vel provid\u00eancia ele guia o curso dos tempos e renova a face da terra. Cristo Ressuscitado trabalha j\u00e1 pela virtude do seu Esp\u00edrito no cora\u00e7\u00e3o do homem, n\u00e3o s\u00f3 despertando o amanh\u00e3 do s\u00e9culo futuro, mas tamb\u00e9m, por isso mesmo, alentando, purificando e assinando embaixo dos prop\u00f3sitos generosos com os quais a fam\u00edlia humana tenta alavancar a sua vida e submeter a terra a este fim.&#8221; (RM, 28)<br \/>\nPor fim, sobre a necessidade do discernimento evang\u00e9lico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, algo que \u00e9 necess\u00e1rio quando aparecem tantos lobos vestidos em pele de ovelha, a enc\u00edclica diz que: &#8220;Todo tipo de presen\u00e7a do Esp\u00edrito tem de ser acolhido com estima e gratid\u00e3o; mas o discernimento compete \u00e0 Igreja, a quem Cristo deu o seu Esp\u00edrito para gui\u00e1-la at\u00e9 a verdade completa (cf. Jo\u00e3o 16, 13).&#8221; (RM, 29)<br \/>\nFonte: &#8220;El gusto por la Mision &#8211; Manual de Misionologia para Seminarios&#8221;, Mons. Luis Augusto Castro Quiroga. CELAM &#8211; Conselho Episcopal Latinoamericano, Cole\u00e7\u00e3o de textos b\u00e1sicos para semin\u00e1rios latinoamericanos Vol. III, Col\u00f4mbia, 1994. P\u00e1ginas 480-500.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PARA QUE SOMOS ENVIADOS: PROMO\u00c7\u00c3O DOS VALORES DO REINO DE DEUS 1 &#8211; Isso n\u00e3o \u00e9 o Reino A enc\u00edclica Redemptoris Missio (RM) nos introduz em um dos objetivos da miss\u00e3o ad gentes, que \u00e9&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,3,13],"tags":[20,23,80],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/568"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=568"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/568\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=568"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=568"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=568"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}