﻿{"id":268,"date":"2010-05-27T17:23:52","date_gmt":"2010-05-27T20:23:52","guid":{"rendered":"http:\/\/vitorluiz.6te.net\/?p=268"},"modified":"2010-05-27T17:23:52","modified_gmt":"2010-05-27T20:23:52","slug":"pastoral-de-eventos-ou-pastoral-de-processo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vitor.6te.net\/?p=268","title":{"rendered":"Pastoral de eventos ou Pastoral de processo"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>Pe. Alfredo J. Gon\u00e7alves *<\/div>\n<div>\nAdital &#8211; 19\/05\/2010<\/div>\n<p>Est\u00e1 em voga a Pastoral dos Eventos. Estes se multiplicam de tal modo que \u00e9 dif\u00edcil encontrar lugar na agenda de n\u00e3o poucas lideran\u00e7as de movimentos e pastorais sociais. Grandes encontros, semin\u00e1rios, assembl\u00e9ias, romarias v\u00e3o se sobrepondo umas \u00e0s outros no decorrer do ano.<br \/>\nAt\u00e9 aqui, nada de anormal. Do ponto de vista pessoal, os eventos s\u00e3o necess\u00e1rios para manter vida a chama do vigor prof\u00e9tico e do entusiasmo; do ponto de vista s\u00f3cio pol\u00edtico, servem para dar maior visibilidade, e portanto maior incid\u00eancia, \u00e0 for\u00e7as das organiza\u00e7\u00f5es populares. Sem esses momentos fortes e significativos, as atividades rotineiras tendem a se dilu\u00edrem, a se dispersarem e a se perderem e no anonimato e no esquecimento.<br \/>\nO problema se coloca quando tudo se reduz a meros eventos. De evento em evento, chega-se facilmente \u00e0 pastoral dos espet\u00e1culos, dos shows ou do entretenimento. Nesta linha, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil cair na armadilha da m\u00eddia, onde a not\u00edcia s\u00e9ria e reflexiva d\u00e1 lugar \u00e0 manchete sensacionalista. Mais que uma vis\u00e3o cr\u00edtica, procura-se despertar sensa\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es moment\u00e2neas. N\u00e3o \u00e9 raro que esse contexto da &#8220;sociedade do espet\u00e1culo&#8221; (Guy Debord) penetre e contamine as atividades s\u00f3cio-pastorais com seus estridentes apelos publicit\u00e1rios.<br \/>\nPior ainda \u00e9 que a espetaculariza\u00e7\u00e3o da pastoral engendra, com freq\u00fc\u00eancia, dois riscos interligados: primeiramente, um profissionalismo altamente nocivo, onde especialistas de grandes eventos muitas vezes decolam das bases e manifestam enorme dificuldade de aterrizar. Com isso, numerosos eventos s\u00e3o pensados e decididos em laborat\u00f3rio, caindo de cima para baixo e sobrecarregando o calend\u00e1rio das comunidades e movimentos. O resultado \u00e9 que, enquanto os dirigentes tendem a al\u00e7ar v\u00f4o, o dia-a-dia das lutas sociais se v\u00ea atropelado por campanhas, encontros, congressos, e assim por diante. Eventos esses n\u00e3o raro paralelos uns aos outros.<br \/>\nEm segundo lugar, h\u00e1 o risco de determinados movimento ou pastoral se converter em uma esp\u00e9cie de Organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o Governamental (ONG). Neste caso, a tend\u00eancia \u00e9 dar maior import\u00e2ncia \u00e0 estrutura da organiza\u00e7\u00e3o do que \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas dos setores mais necessitados da popula\u00e7\u00e3o. Ao inv\u00e9s de voltar-se para os anseios, lutas e sonhos desses setores, na configura\u00e7\u00e3o da ONG o que predomina, muitas vezes, \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o efetiva da mesma.<br \/>\nO grande desafio, ent\u00e3o, \u00e9 estabelecer uma conex\u00e3o fecunda entre a pastoral como um processo de reflex\u00e3o, conscientiza\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o, de um lado, e os eventos extraordin\u00e1rios, de outro. Na contram\u00e3o dessa integra\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, os eventos criam \u00e0s vezes um ambiente t\u00e3o grandioso e despertam expectativas t\u00e3o elevadas que seus participantes, ao retornarem \u00e0s bases, podem sentir-se desiludidos e desencantados. O exemplo da caminhada das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) pode servir de ilustra\u00e7\u00e3o. Os agentes pastorais e lideran\u00e7as, nos grandes encontros de CEBs, recebem um banho festivo e celebrativo de entusiasmo e est\u00edmulo. Mas, ao regressar ao dia-a-dia de sua comunidade particular, se deparam com frustra\u00e7\u00f5es uma atr\u00e1s da outra. A discrep\u00e2ncia entre evento e processo de organiza\u00e7\u00e3o pode levar ao des\u00e2nimo, quanto n\u00e3o \u00e0 elitiza\u00e7\u00e3o de uma minoria &#8220;consciente&#8221;, frente a uma maioria &#8220;alienada&#8221;.<br \/>\nComo diminuir o impacto desse descompasso entre o evento e a pastoral cotidiana? Por uma parte, \u00e9 importante que as sombras e turbul\u00eancias da caminhada, e n\u00e3o apenas as luzes, tenham espa\u00e7o nos eventos. E sejam a\u00ed enfrentadas, avaliadas e celebradas na espiritualidade da cruz e ressurrei\u00e7\u00e3o. A alegria do domingo de P\u00e1scoa mergulha suas ra\u00edzes mais profundas no contraste com o absurdo e a loucura da sexta-feira santa. Na vida de cada pessoa, movimento ou pastoral, dores e esperan\u00e7as, tristezas e alegrias se mesclam e se confundem.<br \/>\nPor outra parte, \u00e9 igualmente imprescind\u00edvel que o entusiasmo festivo dos eventos tenha repercuss\u00e3o no cotidiano \u00e1rduo e dif\u00edcil das organiza\u00e7\u00f5es de base. Aqui tamb\u00e9m fracassos e vit\u00f3rias se misturam e remetem ao mist\u00e9rio da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. A alegria dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas, (Lc 24, 13-35), por exemplo, ap\u00f3s o encontro com o Ressuscitado, fermenta os passos lentos e pesados do processo de organiza\u00e7\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-pol\u00edtica.<br \/>\nSe \u00e9 verdade que a P\u00e1scoa \u00e9 colheita; e a cruz, semente, podemos afirmar que nos dias atuais n\u00e3o estamos em tempo de colheita. Somos chamados a semear. E a acreditar na matura\u00e7\u00e3o da semente no seio \u00famido e escuro da terra, cientes de que a planta cresce primeiro para baixo, antes de crescer para cima. Busca fortalecer as ra\u00edzes no terreno turbulento e contradit\u00f3rio da hist\u00f3ria, antes de buscar o sol, o ar livre e o c\u00e9u aberto. E principalmente, sabendo que, em geral, os que semeiam n\u00e3o s\u00e3o os que colhem.<br \/>\n* Assessor das Pastorais Sociais.<span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\"><span style=\"font-family: 'Times New Roman';\"><br \/>\n<\/span><\/span><br \/>\nFonte:\u00a0<a rel=\"nofollow noopener noreferrer\" href=\"http:\/\/www.adital.com.br\/site\/noticia.asp?boletim=1&amp;lang=PT&amp;cod=47891\" target=\"_blank\">http:\/\/www.adital.com.br\/site\/noticia.asp?boletim=1&amp;lang=PT&amp;cod=47891<\/a>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. Alfredo J. Gon\u00e7alves * Adital &#8211; 19\/05\/2010 Est\u00e1 em voga a Pastoral dos Eventos. 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