﻿{"id":244,"date":"2010-01-27T09:37:35","date_gmt":"2010-01-27T11:37:35","guid":{"rendered":"http:\/\/vitorluiz.6te.net\/?p=244"},"modified":"2010-01-27T09:37:35","modified_gmt":"2010-01-27T11:37:35","slug":"reinventar-o-passado-recriar-a-utopia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vitor.6te.net\/?p=244","title":{"rendered":"Reinventar o passado &#8211; recriar a utopia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">REINVENTAR O PASSADO \u2013 RECRIAR A UTOPIA<\/p>\n<p><strong> <\/strong><br \/>\n<strong><em>\u201cS\u00f3 abrem novos caminhos os que teimam em reinventar o passado\u201d. (Agenor Brighenti)<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos um velho h\u00e1bito de relativisar, ignorar, quando n\u00e3o esquecer o passado. Este, geralmente s\u00f3 \u00e9 lembrado, visitado e at\u00e9 aceito, quando somos abatidos por certa melancolia, saudosismo ou quando o presente \u00e9 sem gra\u00e7a e o futuro parece ainda mais incerto que o normal. A milit\u00e2ncia revolucion\u00e1ria, a luta coletiva, a capacidade de acreditar que \u00e9 poss\u00edvel transformar realidades adversas, sobretudo, a Educa\u00e7\u00e3o Popular, nos levam mais adiante. Ao n\u00e3o fragmentar a hist\u00f3ria, ou neg\u00e1-la, nem dicotomizar a vida, dividindo-a em um passado que simplesmente passou; um presente que nada deve a este; e um futuro absolutamente imprevis\u00edvel, quando n\u00e3o predeterminado. Por saber ser o passado feito e composto de nossa hist\u00f3ria e fonte de permanente aprendizado; por saber ser o presente o reinventar dessa hist\u00f3ria e desse passado; e o futuro conseq\u00fc\u00eancia direta do que fizemos ou deixamos de fazer. Por isso a an\u00e1lise de conjuntura; por isso o planejamento; por isso a avalia\u00e7\u00e3o; por isso a esperan\u00e7a e a utopia. Por a necessidade de recriar permanentemente o passado, a esperan\u00e7a e a utopia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro, \u201cReconstruindo a Esperan\u00e7a\u201d\u00a0 Agenor Brighente elenca dados, constata\u00e7\u00f5es, reflex\u00f5es e conceitos fundamentais para quem acredita e parte dessa vis\u00e3o de mundo e de ser humano. Logo na introdu\u00e7\u00e3o, diz: <strong><em>\u201cHoje \u00e9 muito mais dif\u00edcil planejar do que ontem\u201d. <\/em><\/strong>(Pg.5) O que parece querer dizer que a complexidade da sociedade moderna e da vida nesta sociedade tornou mais exigente, e tamb\u00e9m mais complexos os processos de vida. Mais adiante, ainda na mesma p\u00e1gina, ele retoma<strong><em>: \u201cDo encanto pelo planejamento dos anos 70, passou-se ao desencanto dos anos 90\u201d.<\/em><\/strong> Essa constata\u00e7\u00e3o poderia ser feita tamb\u00e9m com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 an\u00e1lise de conjuntura. Agenor, como \u00e9 constante em todo seu livro, rega de esperan\u00e7a o leitor (a) quando diz ainda na mesma p\u00e1gina: <strong><em>\u201dAs crises, apesar de doloridas, quando assumidas com olhos voltados para um futuro melhor, s\u00e3o sempre fecundas e anunciadoras de novas conquistas\u201d. <\/em><\/strong>Nada melhor de ouvir e acreditar em tempos de crises como este.<\/p>\n<p><strong><em> <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda na introdu\u00e7\u00e3o, continua profetizando: <strong><em>\u201cAs metodologias n\u00e3o s\u00e3o neutras e, portanto, n\u00e3o \u00e9 qualquer uma que \u00e9 apta para projetar a a\u00e7\u00e3o da igreja de acordo com as necessidades de seu contexto\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 6). Apesar de dirigir-se \u00e0 igreja, n\u00e3o seria nenhum desvio empregar seus termos a qualquer movimento social. Mais adiante ele qualifica sua metodologia: (&#8230;) <strong><em>\u201cMetodologia Participativa\u201d<\/em><\/strong>. E segue profetizando. Fala da igreja, mas serve para o mundo: \u201cAntes de significar uma burocratiza\u00e7\u00e3o da pastoral, o planejamento precisa ser transformado em instrumento eficaz, capaz de ajudar a igreja a ser sinal do Reino num mundo marcado por uma crise de fraternidade e solidariedade\u201d. Estas s\u00e3o mais que simples qualidades. S\u00e3o valores, car\u00eancias necess\u00e1rias e raras de se verem vividas, inclusive na igreja. Na mesma p\u00e1gina 6 ele justifica sua proposta metodol\u00f3gica de forma muito apropriada: <strong><em>\u201cA partir do que tem de melhor \u2013 a metodologia participativa, com as devidas adequa\u00e7\u00f5es e corre\u00e7\u00f5es -, \u00e9 preciso tornar tamb\u00e9m as comunidades eclesiais de base em protagonistas da mudan\u00e7a\u201d. (&#8230;) \u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que, mais uma vez,\u00a0 a igreja v\u00e1 perder o bonde da hist\u00f3ria, privando o evangelho de seu potencial prof\u00e9tico e transformador\u201d.<\/em><\/strong> Quantas vezes n\u00f3s privamos nossa ferramentas, nossos instrumentos de transforma\u00e7\u00e3o social de suas reais potencialidades?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u201cA melhor forma de sair da tempestade \u00e9 eleger um rumo, pois n\u00e3o h\u00e1 vento favor\u00e1vel para quem n\u00e3o sabe aonde chegar\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em> <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A bel\u00edssima introdu\u00e7\u00e3o de Agenor termina como come\u00e7ou. Esperan\u00e7osa e cheia de f\u00e9. (&#8230;) enche de entusiasmo e motiva\u00e7\u00e3o seus leitores e aponta-lhes perspectivas que raramente se v\u00eaem. Sem fugir da realidade concreta. <strong><em>\u201cSobretudo a experi\u00eancia e convic\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m que crer no planejamento como um instrumento privilegiado na proje\u00e7\u00e3o de um futuro crescentemente melhor, em meio a um mundo mergulhado na desesperan\u00e7a, em que a igreja est\u00e1 chamada a ser, quem sabe, o \u00faltimo reduto da utopia\u201d.<\/em><\/strong> N\u00e3o \u00e9 a desesperan\u00e7a do mundo ou de alguns desesperados que nele vagueiam que deve ser a\u00a0 b\u00fassola dos (as) revolucion\u00e1rios (as), mas as possibilidades e clamores muitas vezes escondidos entre os desafios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao fazer a rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre o encanto e o desencanto que envolve o planejamento, tamb\u00e9m aprendemos muito com a reflex\u00e3o de Agenor. <strong><em>\u201cA melhor forma de sair da tempestade \u00e9 eleger um rumo, pois n\u00e3o h\u00e1 vento favor\u00e1vel para quem n\u00e3o sabe aonde chegar\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 9) De fato, al\u00e9m de fazer parte da sabedoria popular e milenar, continua valendo como verdade<strong><em>. <\/em><\/strong>Como ns diz t\u00e3o bem William Shakespeare, \u201cpara quem n\u00e3o sabe onde quer chegar, qualquer caminho servr\u201d. <strong><em> \u201cDiante disso, a atitude mais insana \u00e9 a apolog\u00e9tica, ou seja, atacar o novo que se est\u00e1 gestando e defender com unhas e dente o de sempre, o que j\u00e1 deu certo, com o risco de continuar a responder a perguntas que ningu\u00e9m mais faz\u201d.<\/em><\/strong> (IBIDEM) Essa \u00e9 a regra. Parece ser mais f\u00e1cil encontrar algu\u00e9m contra algo novo, por ser novo, que algu\u00e9m com coragem suficiente de reconhecer o velho, sua validade na tradi\u00e7\u00e3o que ele carrega, mas olhar pra frente. (&#8230;) <strong><em>\u201cIsso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel abrindo m\u00e3o de falsas seguran\u00e7as e tirando as li\u00e7\u00f5es das transforma\u00e7\u00f5es em curso para a tarefa de uma evangeliza\u00e7\u00e3o na perspectiva da incultura\u00e7\u00e3o do evangelho\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 10)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado de um mundo globalizando e globalizado, de um modelo de desenvolvimento pensado parte um ter\u00e7o da humanidade, \u00e0 custa da dignidade dos outros dois ter\u00e7os, parece ser bem dito, na reflex\u00e3o sobre as ci\u00eancias. (&#8230;) <strong><em>\u201cPor outro, a ci\u00eancia, \u00e0 medida que foi superando o conhecimento ing\u00eanuo e emp\u00edrico, orgulhosa de suas possibilidades, desembocou na pretens\u00e3o da objetividade total ou da verdade absoluta (cientificismo), enveredando pelo beco sem sa\u00edda da instrumentaliza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da raz\u00e3o (raz\u00e3o tecnocrata). O fato \u00e9 que, historicamente, as ci\u00eancias estiveram muito mais pr\u00f3ximas do poder do que da verdade\u201d. <\/em><\/strong>(Pg. 13\/14). Como tenho dito com freq\u00fc\u00eancia, nas discuss\u00f5es que fa\u00e7o, nos grupos que fa\u00e7o parte, quando vemos, sobre tudo a exclus\u00e3o e injusti\u00e7a que geralmente acompanham a ci\u00eancia. Ela est\u00e1 a servi\u00e7o de quem tem dinheiro e pode pagar e n\u00e3o de quem dela precisa e tem direito. Isso implicaria aceitar que todo conhecimento \u00e9, n\u00e3o s\u00f3 patrim\u00f4nio, mas conquista e direito, portanto de toda humanidade. N\u00e3o deste ou daquele laborat\u00f3rio, desta ou daquela empresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor Brighenti, vai ao cerne da quest\u00e3o quando aponta a postura da ci\u00eancia no campo das pesquisas. Alem de excluir a maior parte da popula\u00e7\u00e3o de suas descobertas o investimento \u00e9 sempre feito no ac\u00famulo de novos conhecimentos, e n\u00e3o em pol\u00edticas p\u00fablicas que fa\u00e7am chegar \u00e0 elas tais benef\u00edcios. Diz ele: <strong><em>\u201cOs avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e o progresso econ\u00f4mico n\u00e3o s\u00e3o socializados, mas investidos em tecnologias mais avan\u00e7adas, levando \u00e0 crescente concentra\u00e7\u00e3o da renda e conseq\u00fcente aumento da pobreza e da exclus\u00e3o social\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 16). Fica, contudo o alerta que nos faz o professor, a partir de uma express\u00e3o tamb\u00e9m muito conhecida nas express\u00f5es populares: <strong><em>\u201cA hist\u00f3ria \u00e9 a mestra da vida, mas com a condi\u00e7\u00e3o de sermos capazes de aprender dela\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u201cComunidade que n\u00e3o faz as pessoas serem mais gente, mais felizes e mais solid\u00e1rias\u00a0 \u00e9 apenas aparente, \u00e9 anticomunidade, sem sentido, sem nada\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seremos n\u00f3s capazes de aprender das experi\u00eancias vividas? At\u00e9 que ponto? Sobretudo, nas conquistas sociais no campo da ci\u00eancia, da tecnologia, da medicina especificamente, isto tem sido uma contradi\u00e7\u00e3o a partir das pol\u00edticas p\u00fablicas. <strong><em>\u201cBasicamente, h\u00e1 tr\u00eas diferentes percep\u00e7\u00f5es ou vis\u00f5es que resumem as distintas maneiras de situar-se no mundo. Mas somente uma delas pode capacitar-nos hoje a construir o amanh\u00e3\u201d. <\/em><\/strong>(Pg. 18). Diz o Brighenti, s\u00e3o elas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1) Vis\u00e3o catrast\u00f3fica da realidade<\/strong>: \u00e9 a atitude daqueles que, diante da complexidade, da dificuldade e dos grandes desafios de seu meio, acham que tudo est\u00e1 perdido, que n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2) A vis\u00e3o retrospectiva da realidade:<\/strong> est\u00e1 marcada por atitude de medo do novo e, portanto, fundada sobre uma consci\u00eancia eminentemente conservadora, que fossiliza a tradi\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3) Vis\u00e3o prospectiva da realidade<\/strong>: est\u00e1 marcada por atitude otimista, mas ing\u00eanua, pois a consci\u00eancia cr\u00edtica a leva a estar sempre com os p\u00e9s no ch\u00e3o. (Pg. 19\/20)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa cr\u00edtica l\u00facida e expl\u00edcita \u00e0 desesperan\u00e7a neoliberal e seu fatalismo hist\u00f3rico, o professor Brighenti dispara seus torpedos com precis\u00e3o: <strong><em>\u201cSe de fato chegou o \u2018fim da hist\u00f3ria\u2019 e s\u00f3 nos resta a \u2018ditadura do presente\u2019, ou se o futuro \u00e9 a volta ao passado, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para o planejamento. Como processo de reflex\u00e3o essencialmente voltado para o futuro, planejar \u00e9 criar utopias desde os desafios do presente a serem superados\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 21). Faz toda a diferen\u00e7a se vemos o planejamento n\u00e3o s\u00f3 dessa forma, mas com esse significado. O que nos implica pensar o planejamento como um ato coletivo, Planejamento Participativo \u2013 como ousamos sonhar na RECID \u2013 assim v\u00eam \u00e0s exig\u00eancias: <strong><em>\u201cOra, se n\u00e3o cremos numa igreja comunidade, sinal e instrumento de um Reino de fraternidade, n\u00e3o h\u00e1 lugar para o planejamento, pois planejar \u00e9 crer no discernimento comunit\u00e1rio, \u00e9 f\u00e9 na for\u00e7a da uni\u00e3o e da supera\u00e7\u00e3o da fragmenta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/strong> (Pg. 23). Se substituirmos \u201cIgreja\u201d por Sindicato, Associa\u00e7\u00e3o, ONG, Rede, Entidades, continua valendo o que o autor diz \u00e0 igreja.<\/p>\n<p><strong><em> <\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que frequentemente se faz \u00e9 confundir planejamento com fazer planos pontuais e reduz\u00ed-lo a um arranjo de interesses ou repeti\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas velhas e caducas. <strong><em>\u201cConfundiu-se planejar com elaborar planos, que, em n\u00e3o raras ocasi\u00f5es, nem sa\u00edram do papel, esquecendo-se que planejar, \u00e9 mais uma atitude do que um ato e o plano \u00e9 um simples meio, e n\u00e3o m fim e mais, um meio n\u00e3o neutro\u201d. <\/em><\/strong>(Pg. 25). O principal mal que costumamos ver se repetir, na igreja ou nas entidades, sobretudo nos planos com car\u00e1ter de planejamentos \u00e9 a invers\u00e3o de import\u00e2ncia e a troca de pap\u00e9is. Esquece-se que s\u00e3o as pessoas quem fazem as entidades e n\u00e3o o contr\u00e1rio. (&#8230;) <strong><em>\u201cEm nossas experi\u00eancias de planejamento participativo, muitas vezes o institucional e o \u2018comunit\u00e1rio\u2019 s\u00e3o t\u00e3o hegem\u00f4nicos nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais, que sufocam a subjetividade, pondo as pessoas em fun\u00e7\u00e3o das estruturas\u201d. <\/em><\/strong>(Pg. 27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pragmatismo e o ativismo, mesmo o desvio de finalidade tamb\u00e9m n\u00e3o muito raro, tentam e at\u00e9 conseguem \u2018naturalizar\u2019o uso equivocado do papel comunit\u00e1rio de uma entidade popular. <strong><em>\u201cComunidade que n\u00e3o faz as pessoas serem mais gente, mais feliz e mais solid\u00e1ria \u00e9 apenas aparente, \u00e9 anticomunidade, sem sentido, sem nada\u201d.<\/em><\/strong> (Ibidem). Contudo, as experi\u00eancias j\u00e1 acumuladas de nossas entidades e comunidades nos ajudam a ver a supera\u00e7\u00e3o deste desafio<strong><em>. \u201cIsso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel pondo o institucional e as estruturas em seu devido lugar, isto \u00e9, em fun\u00e7\u00e3o das pessoas e da miss\u00e3o da comunidade\u201d.<\/em><\/strong> (Ibidem).\u00a0 Essa \u00e9 uma pergunta que precisamos nos fazer daqui pra frente. Nossas entidades colocam suas estruturas a servi\u00e7o e em fun\u00e7\u00e3o das pessoas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre o micro e o macro, entre a teoria e a pr\u00e1tica, a\u00e7\u00e3o e a reflex\u00e3o, t\u00e3o bem fundamentados e defendidos por Paulo Freire em sua obra, \u00e9 aqui visto como um risco, um perigo, quando dicotomizada, apesar de uma necessidade por Brighenti. <strong><em>\u201cOs que se abrirem ao macro, sem identidade, ser\u00e3o devorados e eliminados pelo mais forte. Mas os que se confinarem ao micro, ainda que seja a sua pr\u00f3pria originalidade, breve ser\u00e3o sucata hist\u00f3rica irreconhec\u00edveis no concreto das particularidades em di\u00e1logo e ineptos para uma conviv\u00eancia enriquecedora no concreto dos povos\u201d. (<\/em><\/strong>Pg. 31). Bela advert\u00eancia e constata\u00e7\u00e3o do professor Brighenti. Excelente li\u00e7\u00e3o. Apenas parafraseando o texto b\u00edblico: quem tiver ouvidos ou\u00e7a. Quem tiver olhos veja.\u00a0 Ainda com rela\u00e7\u00e3o ao planejamento, sempre tendo \u2013 o como uma especificidade humana, acrescentar, <strong><em>\u201cPlanejar \u00e9 pensar a a\u00e7\u00e3o, prever, projetar o futuro. O plano \u00e9 apenas o registro das decis\u00f5es tomadas no processo de planejamento\u201d. <\/em><\/strong>(Pg. 33).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando vemos o procedimento, a postura de muitos ditos Freireanos, quando assumem um cargo p\u00fablico ou de decis\u00e3o, geralmente com postura arrogante e corporativista, vem-nos o pensamento: se Paulo Freire chegasse aqui agora, o que diria? Assim, Brighenti questiona a igreja, repetindo a interroga\u00e7\u00e3o t\u00e3o ouvida nas pastorais, grupos de reflex\u00e3o e mission\u00e1rios<strong><em>: \u201cEm outras palavras, se Jesus viesse hoje, n\u00e3o mudaria o conte\u00fado de sua mensagem, que \u00e9 transcultural; mas certamente se utilizaria de outros meios e de outros recursos para levar a cabo sua miss\u00e3o, que s\u00e3o sempre dependentes da cultura em que se est\u00e1\u201d. <\/em><\/strong>(Pg. 42). Paulo Freire insistia muito, inclusive quando da funda\u00e7\u00e3o de um instituo com seu nome, que se fosse para repeti-lo, n\u00e3o o fizesse. Mas se fosse para reinvent\u00e1-lo, a\u00ed sim teria sentido. Porque homem, humano, curioso, sempre fazia novas perguntas, que o levavam a um sempre novo caminhar. <strong><em>\u201cO mais importante \u00e9 n\u00e3o ignorar as novas perguntas dos novos tempos. \u2018O que n\u00e3o \u00e9 assumido n\u00e3o \u00e9 redimido\u2019, diziam os padres da igreja\u201d. <\/em><\/strong>(Pg.43).<\/p>\n<p><strong><em> <\/em><\/strong><br \/>\nAinda na perspectiva de que o que vale aqui, na vis\u00e3o do professor Brighenti, para a igreja, vale tamb\u00e9m para os movimentos sociais, inclusive certo anacronismo, refor\u00e7amos:\u00a0 <strong><em>\u201cQualquer resposta a perguntas que ningu\u00e9m mais faz torna velha e obsoleta a evangeliza\u00e7\u00e3o, assim como impertinente e irrelevante a pr\u00f3pria boa nova, que deveria ser sempre \u2018salva\u00e7\u00e3o para n\u00f3s hoje\u2019, como diz o conc\u00edlio\u201d.<\/em><\/strong> (Pg.44). Assim, seguindo a coer\u00eancia de racioc\u00ednio, elencando as exig\u00eancias do planejamento, vejamos: <strong><em>\u201cMais importante do que planejar \u00e9 como se planeja. O planejamento pode ajudar ou atrapalhar a igreja, dependendo do uso que se faz dele\u201d. (&#8230;) \u201cA esse respeito, poder\u00edamos evocar tr\u00eas exig\u00eancias b\u00e1sicas:\u201d.<\/em><\/strong> Diz o professor Brighenti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a) Ter os p\u00e9s no ch\u00e3o: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um bom processo de planejamento, para poder ajudar a igreja a encarnar-se e inculturar o evangelho, exige de seus participantes inser\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria realidade. Planejar \u00e9, antes de tudo, n\u00e3o ignorar. (&#8230;) Partir da realidade \u00e9 partir de onde se est\u00e1, e n\u00e3o de onde gostar\u00edamos de estar. Do contr\u00e1rio n\u00e3o se gera processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> b) Ter os olhos no horizonte:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Visto que planejar \u00e9 prever a a\u00e7\u00e3o futura, o planejamento implica, sim, ter os p\u00e9s no ch\u00e3o, mas tamb\u00e9m olhar longe. N\u00e3o h\u00e1 aut\u00eantico processo de planejamento sem esperan\u00e7a, sem confian\u00e7a na possibilidade do futuro desej\u00e1vel. (&#8230;) Como j\u00e1 frisamos, uma vis\u00e3o catrast\u00f3fica da realidade, ou mesmo retrospectiva, inviabiliza qualquer possibilidade de um processo de planejamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>c) Ter a coragem de \u201csujar\u201d as m\u00e3os: <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num processo de planejamento, os p\u00e9s no ch\u00e3o e o olhar no horizonte precisam cruzar-se com as m\u00e3os. (&#8230;) Dito de outra forma, est\u00e1 o axioma popular: o que eu ou\u00e7o, esque\u00e7o; o que eu vejo, recordo; o que eu fa\u00e7o, eu sei. (Pg. 45\/6\/7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u201cPartir da realidade \u00e9 partir de onde se est\u00e1, e n\u00e3o de onde gostar\u00edamos de estar. Do contr\u00e1rio n\u00e3o se gera processo\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Planejar deve fazer parte da a\u00e7\u00e3o. Parece ser o que nos quer dizer o professor Brighenti. Por isso, deve ser feito por quem o vai executar. A cabe\u00e7a pensa o cora\u00e7\u00e3o organiza e as m\u00e3os executam. Sempre em parceria. <strong><em>\u201cNum processo de planejamento, \u00e9 preciso ter a coragem de \u2018sujar\u2019 as m\u00e3os. \u00c9 o\u00a0 pre\u00e7o do exerc\u00edcio da liberdade, condi\u00e7\u00e3o para criar o novo, para avan\u00e7ar, para ser protagonista da mudan\u00e7a\u201d. <\/em><\/strong>(Pg. 48)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 comum e mesmo freq\u00fcente confundirmos conceitos e us\u00e1-los equivocadamente. Confundimos manifesta\u00e7\u00e3o religiosa com f\u00e9; confundimos educar com doutrinar; confundimos direito com necessidade, quando n\u00e3o com favor e esmola. <strong><em>\u201cA unidade confunde-se com a uniformidade. Todo dissenso \u00e9 visto como atentado contra a autoridade, desobedi\u00eancia e rebeldia\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 52). N\u00e3o \u00e9 demais lembrar que, geralmente, qualquer cr\u00edtica a boa parte das lideran\u00e7as, parece ser uma ofensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O planejamento estrat\u00e9gico surgiu no \u00e2mbito da administra\u00e7\u00e3o de empresas nos Estados Unidos, ainda que o termo, \u201cestrat\u00e9gia\u201d venha do mundo militar. Ele designa a disponibilidade de for\u00e7as no campo de batalha para derrotar o inimigo e Ganhar a guerra, uma tarefa de planejamento reservada aos generais do estado-maior. (Pg. 53)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preocupante ver prevalecer ainda o improviso. Planejar \u00e9 ainda um desafio, quando n\u00e3o uma ofensa. Seja no \u00e2mbito das igrejas, dos governos, ou da pr\u00f3pria sociedade, atrav\u00e9s das entidades sociais. O planejamento \u00e9 deixado em segundo plano e quando existe \u00e9 de forma superficial. <strong><em>\u201cOra, planejar \u00e9 essencialmente prever, projetar o futuro desej\u00e1vel e pensar nos passos em vista de sua consecu\u00e7\u00e3o\u201d. <\/em><\/strong>(Pg. 59).\u00a0 A conseq\u00fc\u00eancia de n\u00e3o planejar \u00e9, entre outras, a de n\u00e3o sabermos tamb\u00e9m o que \u00e9 essencial e separ\u00e1-lo do que n\u00e3o \u00e9. <strong><em>\u201cOra, a identifica\u00e7\u00e3o de um problema fundamental leva a causas fundamentais. E causas fundamentais e causas secund\u00e1rias devem receber tratamento diferenciado\u201d. <\/em><\/strong>(Pg. 61). (&#8230;) <strong><em>\u201cA originalidade do m\u00e9todo participativo est\u00e1 em partir da a\u00e7\u00e3o para novamente desembocar na a\u00e7\u00e3o, privilegiando, entretanto, o processo participativo em rela\u00e7\u00e3o aos resultados\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 62). O processo, aqui citado com relev\u00e2ncia, \u00e9 frequentemente usado para justificar pr\u00e1ticas contradit\u00f3rias. Para esconder omiss\u00f5es e incoer\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<strong><em>Elas (as ci\u00eancias) libertam a igreja do fanatismo, do fundamentalismo e da mitifica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Planejar exige em primeiro lugar que se olhe para as condi\u00e7\u00f5es efetivas que se disp\u00f5e. \u00c9, portanto, hora de prevenir muitos poss\u00edveis problemas. <strong><em>\u201cAntes de come\u00e7ar a programar, \u00e9 preciso saber exatamente com que se conta e com que se poder\u00e1 contar na realiza\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o futura, em termos de meios financeiros, humanos, institucionais, did\u00e1ticos, etc.\u201d. <\/em><\/strong> (Pg. 64) isso significa ver os erros antes que eles aconte\u00e7am. Evit\u00e1-los, portanto. <strong><em>\u201cAvaliar os erros depois que eles aconteceram n\u00e3o \u00e9 tudo. \u00c9 preciso procurar evit\u00e1-los. E, para isso, est\u00e1 o seguimento ou controle a ser feito, sobretudo pelos respons\u00e1veis das atividades programadas\u201d. <\/em><\/strong>(Pg.65) Programar ou fazer um programa, planejar \u00e9 necessariamente, definir responsabilidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brighenti define tr\u00eas momentos importantes no planejamento e dois fazem parte de toda a\u00e7\u00f5es humanas.<span style=\"text-decoration: underline;\"> <\/span>O contexto e o horizonte. <strong><em>\u201cO terceiro momento \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o na realidade propriamente dita, com a finalidade de<span style=\"text-decoration: underline;\"> <\/span>adequ\u00e1-la ao ideal proposto, seja de transforma\u00e7\u00e3o, seja de conserva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 67). Na mesma p\u00e1gina, citando a tr\u00edade \u2013 A\u00e7\u00e3o-Reflex\u00e3o-A\u00e7ao \u2013 em sintonia com o \u2013 Ver-Julgar-Agir \u2013 da a\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica. <strong><em>\u201cSe partirmos do VER, o processo do planejamento pode levar a uma vis\u00e3o socializante do JULGAR e politizante do AGIR, desde que a realidade que determina a formalidade ou a pertin\u00eancia do m\u00e9todo\u201d. <\/em><\/strong>(Pg. 68). VER analiticamente, JULGAR teologicamente e AGIR pastoralmente, diz Brighenti. (Pg. 70)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Momento importante, e muitas vezes confundido, causando preju\u00edzo ao planejamento \u00e9 a hora de construir consensos ou unidade. <strong><em>\u201cA unidade se faz n\u00e3o em torno das mesmas a\u00e7\u00f5es, mas dos mesmos objetivos, embora at\u00e9 estes precisem ser sempre elaborados de acordo com as particularidades de cada n\u00edvel eclesial\u201d<\/em><\/strong>. (Pg. 72). Nunca \u00e9 muito repetir que vale para qualquer n\u00edvel de a\u00e7\u00e3o e n\u00e3o s\u00f3 para o ambiente da igreja. Principalmente, conclu\u00edmos do racioc\u00ednio do autor, que vale para a academia e para as pesquisas acad\u00eamicas. <strong><em>\u201cAlias, se h\u00e1 um espa\u00e7o privilegiado de di\u00e1logo com o mundo, ele \u00e9 proporcionado pelas ci\u00eancias\u201d.<\/em><\/strong> (&#8230;) \u201c<strong><em>Elas libertam a igreja do fanatismo, do fundamentalismo e da mitifica\u00e7\u00e3o\u201d. <\/em><\/strong>Em seguida mais um alerta a uma freq\u00fcente contradi\u00e7\u00e3o vivida nos processos como um todo. <strong><em>\u201cO m\u00e9todo, deliberadamente, privilegia o processo sobre os resultados, a participa\u00e7\u00e3o sobre a efici\u00eancia\u201d. <\/em><\/strong>(Pg. 73).<\/p>\n<p><strong><em> <\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> <\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dicotomiza\u00e7\u00e3o entre a teoria e a pr\u00e1tica, tamb\u00e9m facilmente encontr\u00e1vel, j\u00e1 referenciado neste trabalho, \u00e9 mais uma vez citado. <strong><em>\u201cPara fugir do academicismo, o mais comum \u00e9 supor o marco referencial, e ent\u00e3o facilmente se inventam objetivos, que, depois, \u2018n\u00e3o pegam\u2019 e dos quais ningu\u00e9m se lembra no momento de agir\u201d.<\/em><\/strong> Isso nos lembra a id\u00e9ia tamb\u00e9m j\u00e1 presente aqui de maquiar, idealizar a realidade e confund\u00ed-la com a realidade concreta. <strong><em>\u201cTermina-se o processo de planejamento e, em lugar de come\u00e7ar a agir conforme o novo plano, imprime-se o plano e faz-se uma festa de encerramento, transmitindo a sensa\u00e7\u00e3o de que a tarefa acabou\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 74).<strong><em> <\/em><\/strong>Imposs\u00edvel n\u00e3o lembrar a postura eleitoral que tanto criticamos no comportamento dos (as) brasileiros, como se sua responsabilidade terminasse no dia da elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u201cAs condi\u00e7\u00f5es previas e os passsos preparat\u00f3rios de um processo participativo dependem das condi\u00e7\u00f5es e das circunstancias de cada contexto\u201d. (Pg.77)<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em> <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tecnicismo, pr\u00e1tica defendida na pr\u00e1tica e com freq\u00fc\u00eancia, aparece quase que discretamente.<strong><em> \u201c\u00c0s vezes, aplica-se uma t\u00e9cnica desprovida de seus fundamentos, de sua filosofia, de sua eclesiologia e m\u00edstica e d\u00e1-se a isso o nome de planejamento participativo\u201d. <\/em><\/strong>\u00c9 a tenta\u00e7\u00e3o t\u00e3o tentadora de pesquisar planejamento s\u00f3 no google e achar que \u00e9 especialista em planejamento participativo e ou estrat\u00e9gico. Confunde-se din\u00e2mica com m\u00edstica, t\u00e9cnica com m\u00e9todo, coer\u00eancia com conveni\u00eancia. <strong><em>\u201cO planejamento participativo \u00e9 mais uma pedagogia em contexto do que uma t\u00e9cnica de planejamento aplic\u00e1vel n\u00e3o importa em que campo e de que forma\u201d. <\/em><\/strong>(Pg. 75). Para ser participativo deve ser mais consultado o grupo. \u00c9 necess\u00e1rio que a participa\u00e7\u00e3o seja efetiva e em todo o processo. <strong><em>\u201cPara ser participativo, n\u00e3o deve haver participa\u00e7\u00e3o no primeiro e nos demais passos, mas tamb\u00e9m fazem-se necess\u00e1rias algumas\u00a0 condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias da parte de todos\u201d.<\/em><\/strong> A participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode, portanto, ser apenas para legitimar processo. O m\u00e9todo participativo n\u00e3o pode ser resumido a adere\u00e7o. <strong><em>\u201cTem alma, que precisa ser a alma de todos, sob pena de transformar-se numa experi\u00eancia sofrida e conflitiva e, o que \u00e9 pior, sem continuidade\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 77).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O planejamento participativo exige certa conscientiza\u00e7\u00e3o de todo o coletivo, se n\u00e3o o processo pode parecer massa de manobra. <strong><em>\u201cPor isso as Pessoas que v\u00e3o participar dele devem, pelo menos, qual \u2018e o ideal e estar dispostas a caminhar naquela dire\u00e7\u00e3o.<\/em><\/strong> (&#8230;). <strong><em>O planejamento participativo quer ser a conjuga\u00e7\u00e3o do EU com o NOS. N\u00e3o existe comunidade s\u00f3 de NOS e sem EUS, como tamb\u00e9m n\u00e3o existe comunidade conformada pela superposi\u00e7\u00e3o\u00a0 de EUS que n\u00e3o desembocam num NOS\u201d.<\/em><\/strong> (&#8230;) <strong><em>O processo por mais bem desenhado que seja e por mais assegurados que estejam aqueles recursos, esta fadado ao fracasso, se as pessoas que farao\u00a0 parte dele n\u00e3o estiverem aptas ou dispostas para assumi-lo\u201d.<\/em><\/strong>(Pg. 78).<\/p>\n<p><strong>Fazer o que diz: <\/strong><br \/>\n<strong><em> <\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> <\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em> <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fator importante \u00e9 estar convencido daquilo que se faz ou se pretende fazer. Muitas vezes nossos discursos nada t\u00eam que ver com o que nossas pr\u00e1ticas dizem. Se tenho que dizer: minha metodologia \u00e9 freireana; minha a\u00e7\u00e3o \u00e9 revolucion\u00e1ria; eu sou democr\u00e1tico; ou ainda: eu sou crist\u00e3o; acredito no di\u00e1logo como instrumento de liberta\u00e7\u00e3o, entre tantas in\u00fameras outras situa\u00e7\u00f5es, \u00e9 porque eu n\u00e3o estou sendo nada daquilo que digo ser.\u00a0 E as pessoas percebem. <strong><em>\u201cComo promover um processo participativo, se n\u00e3o estou convertido para a comunh\u00e3o e o di\u00e1logo e se n\u00e3o busco ter um comportamento democr\u00e1tico?\u201d<\/em><\/strong> (&#8230;) <strong><em>\u201cS\u00f3 os auto-suficientes saem os mesmos de um processo participativo\u201d.<\/em><\/strong> (&#8230;) <strong><em>\u2018Pois o di\u00e1logo implica n\u00e3o s\u00f3 a disponibilidade em escutar, mas tamb\u00e9m a ousadia de auto-revelar-se, al\u00e9m da coragem de discordar\u201d. <\/em><\/strong>(Pg. 80). As palavras fazem a sua parte, nos dizem muitas informa\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 a nossa pr\u00e1tica, sobretudo a nossa postura, quem d\u00e3o atestado de idoneidade de nossas palavras. Se elas s\u00e3o palavras verdadeiras, corporeificadas por nossas a\u00e7\u00f5es, coerentes com elas, ou se s\u00e3o palavras ocas, vazias sem utopia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u201cEvitar o conflito \u00e9 fugir do diferente e do novo\u201d.<\/em><\/strong><em><strong> <\/strong><\/em>(Pg. 81)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Grande parte de nossas energias \u00e9 gasta tentando acomodar as situa\u00e7\u00f5es e fugir dos conflitos. Muitas vezes mostrar que eu tenho raz\u00e3o. Que eu estou certo. A minha verdade \u00e9 maior. O problema \u00e9 que eles n\u00e3o fogem de n\u00f3s. Quando ele se avoluma, normalmente, vem como uma avalanche sobre n\u00f3s e nos destr\u00f3i. Destr\u00f3i sonhos, rela\u00e7\u00f5es, projetos e at\u00e9 vidas. De nada adianta est\u00e1 coma a raz\u00e3o<strong><em>. \u201cA unidade passa pelo conflito atrav\u00e9s de uma esp\u00e9cie de n\u00e3o-viol\u00eancia ativa, enquanto a uniformidade, ainda que passe por uma aparente disc\u00f3rdia \u00e9 sempre uma viol\u00eancia ativa, consentida ou imposta\u201d.<\/em><\/strong> Quando agimos a partir de vaidades, nos conformamos com as t\u00e9cnicas. Quando agimos a partir utopias, vamos, al\u00e9m disso. <strong><em>\u201cA t\u00e9cnica em si \u00e9 fria, n\u00e3o tem poder de persuas\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 apenas um instrumento a servi\u00e7o de um fim que a supera infinitamente\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 81). Se ficamos na t\u00e9cnica, ficamos na fala, na resigna\u00e7\u00e3o e n\u00e3o nos indignamos, agimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desafio que se nos imp\u00f5e na educa\u00e7\u00e3o popular, sobretudo na avalia\u00e7\u00e3o, no planejamento participativo, na gest\u00e3o compartilhada, \u00e9 vivenciar a paci\u00eancia impaciente. \u00c9 o saber caminhar com<strong><em>. \u201cEvidentemente, quem est\u00e1 atr\u00e1s tem o dever de apressar o passo, mas tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio que quem vai \u00e0 frente tenha a caridade da espera, o gesto do Cirineu que ajuda outros a carregar cruzes, \u00e0s vezes mais pesadas que a sua\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 85). A pressa, \u00e0s vezes a afoba\u00e7\u00e3o, o ativismo, a militontice, \u00e9 um inimigo constante de nossa caminhada<strong><em>. \u201cNada mais contradit\u00f3rio em um processo participativo do que a manipula\u00e7\u00e3o de pessoas, o jogo duplo de conchavos de bastidores\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 86). Constitui-se grande desafio superar, nas rela\u00e7\u00f5es entre n\u00f3s, a cultura do, \u201cuns mandam e outros obedecem\u201d. Uns planejam e outros executam. Uns fazem e outros avaliam. <strong><em>\u201cAos primeiros respons\u00e1veis, participar n\u00e3o deve significar \u2018pontificar\u2019, mas tomar parte ativa nas discuss\u00f5es, expondo seus argumentos e persuadindo os participantes a aderir \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o, se for o caso, pela evid\u00eancia dos argumentos, e n\u00e3o pelo argumento de autoridade\u201d.<\/em><\/strong> (&#8230;) <strong><em>\u201cO maior \u00e9 quem se faz menor, \u00e9 quem serve a verdade, que nos liberta a todos, a come\u00e7ar do autoritarismo\u201d.<\/em><\/strong> (&#8230;) <strong><em>\u201cFora disso, qualquer orienta\u00e7\u00e3o n\u00e3o passa de um cego guiando outro cego\u201d. (&#8230;) \u201cA autoridade n\u00e3o est\u00e1 acima da comunidade, mas em seu seio, a seu servi\u00e7o\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 88). Sem autoridade, sem lideran\u00e7a, n\u00e3o pode haver processo de liberta\u00e7\u00e3o. O perigo \u00e9 ver a autoridade caricaturada de autoritarismo. Por isso, a autoridade para fazer cr\u00edtica exige engajamento, participa\u00e7\u00e3o. <strong><em>\u201c\u00c9 muito f\u00e1cil ficar julgando e decidindo de fora\u201d. <\/em><\/strong>(Pg.89).<\/p>\n<p><strong><em> <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os recursos financeiros para garantir as atividades, muitas vezes nos trazem mais problema do que solu\u00e7\u00e3o. S\u00e3o geralmente um campo de disputas, de interesses e de disc\u00f3rdias. \u00c9 comum ouvirmos de lideran\u00e7as autorit\u00e1rias disfar\u00e7adas, de democr\u00e1ticas, que<em> \u201cgest\u00e3o \u00e9 poder\u201d.<\/em> O que se esconde covardemente por tr\u00e1s dessa verdade merece nossa aten\u00e7\u00e3o. <strong><em>\u201cN\u00e3o \u00e9 justo que os pr\u00f3prios participantes, al\u00e9m de emprestar os seus talentos, ainda venham a privar-se de seu necess\u00e1rio para custear viagens, estadias, material de trabalho etc.\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 90). \u00c9 um ato de auto-revela\u00e7\u00e3o. Indiretamente ela est\u00e1 dizendo que pedag\u00f3gico, pol\u00edtico, acolhida, comunica\u00e7\u00e3o, etc. n\u00e3o s\u00e3o poder. Al\u00e9m de revelar uma vis\u00e3o dicotomizada do processo. Est\u00e1 estacionada no \u201cou, ou\u201d e desconhece ou combate o \u201ce, e\u201d como m\u00e9todo de trabalho. A liberdade dos outros, para estas lideran\u00e7as, \u00e9 sempre um abuso. <strong><em>\u201cSe Deus respeita a liberdade de consci\u00eancia de cada um, fundados em que poder\u00edamos agir de modo diferente?\u201d<\/em><\/strong> (Pg. 92). Fora da liberdade s\u00f3 pode haver opress\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pode haver avan\u00e7os, antes, h\u00e1 retrocesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A democracia nos exige habilidades nem sempre por n\u00f3s desenvolvidas ou at\u00e9 despertadas. Por isso, n\u00e3o s\u00e3o poucas as exig\u00eancias para se viver uma rela\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. <strong><em>\u201cEm todo caso, desde o in\u00edcio deve haver transpar\u00eancia, um jogo aberto e sincero, para que as decis\u00f5es sejam sempre respons\u00e1veis e conseq\u00fcentes\u201d.<\/em><\/strong> Aqui, aparece outro elemento perigoso. A pressa. O tempo \u00e9 o principal e primeiro parceiro de um processo de liberta\u00e7\u00e3o. <strong><em>\u201cQuanto ao calend\u00e1rio, h\u00e1 o perigo da pressa, de queimar etapas, sobretudo quando o objetivo do processo n\u00e3o \u00e9 elaborar um plano, mas pensar a a\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 94). Assim, repetindo a mesma id\u00e9ia sem ser repetitivo, trazer presente a possesividade, aparece no jogo pobre e empobrecedor do esconde, esconde. Eu tenho sempre uma informa\u00e7\u00e3o guardada, para na hora que eu julgar necess\u00e1rio, dar as cartas e mostrar quem \u00e9 o bom. Afinal de contas, o plano \u00e9 meu. \u00c9 meu, ou \u00e9 do coletivo? <strong><em>\u201dO m\u00e9todo, no planejamento participativo, n\u00e3o pode constituir um segredo do grupo de coordenadores e, pior, do grupo de assessores, pois o processo facilmente poderia ser manipulado\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 95). Esse comportamento ainda \u00e9 muito freq\u00fcente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escuta \u00e9 fundamental e mesmo imprescind\u00edvel, n\u00e3o apenas como argumento, mas como imperativo \u00e9tico. Saber ouvir atentamente \u00e9 saber olhar a realidade tamb\u00e9m com o olho do outro. <strong><em>\u201c\u00c0s vezes, pessoas que acompanham o desenvolvimento de dentro, mas que, ao mesmo tempo, est\u00e3o de fora e t\u00eam melhor prepara\u00e7\u00e3o te\u00f3rica ou mais experi\u00eancia, podem dar uma contribui\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 96). N\u00e3o basta repetir como papagaio as palavras de Dom H\u00e9lder C\u00e2mara: \u201cTu me enriqueces se discorda de mim\u201d. \u00c9 necess\u00e1rio ousar vivenci\u00e1-las. Estamos vivendo um momento extremamente delicado de nossa curta hist\u00f3ria democr\u00e1tica. Onde a assembl\u00e9ia \u00e9 resumida ao assemble\u00edsmo. Onde somar for\u00e7as \u00e9 confundido com medir for\u00e7as e ganhar \u00e9 falar mais, \u00e9 impor suas id\u00e9ias. <strong><em>\u201cA assembl\u00e9ia \u00e9 um organismo-chave do processo. Quando mal composta ou mal preparada, mais pode atrapalhar do que ajudar\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 97) Assembl\u00e9ia precisa ser representativa, n\u00e3o pode, portanto, ser composta por meus \u2018amigos\u2019 ou por meu \u2018grupinho\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 comum ouvir \u2018cada um ta fazendo uma coisa\u2019, como se isso, por si s\u00f3, fosse um desvio. O que determina a unidade de sonho do coletivo s\u00e3o os objetivos. <strong><em>\u201cAli\u00e1s, diversas coisas podem ser feitas ao mesmo tempo, uma vez que o mais importante \u00e9 que todos estejam perseguindo os mesmos objetivos, e n\u00e3o fazendo as mesmas coisas. Nisso consiste a unidade\u201d. <\/em><\/strong>(Pg. 98). Como diz William Shakespeare, \u2018n\u00e3o importa onde voc\u00ea est\u00e1, mas aonde voc\u00ea quer chegar\u2019. <strong><em>\u201cO processo deve ter data previamente marcada para come\u00e7ar e para acabar, sob pena de ser indefinidamente proteladas tanto a largada quanto \u00e0 chegada\u201d. <\/em><\/strong>(Pg. 99). Ainda \u00e9 freq\u00fcente a correria atr\u00e1s de solu\u00e7\u00e3o de problemas que seriam evitados caso houvesse planejamento. Outras vezes o que falta, tamb\u00e9m freq\u00fcentemente, \u00e9 forma\u00e7\u00e3o dos participantes. <strong><em>\u201cSem prepara\u00e7\u00e3o dificilmente haver\u00e1 processo, pois este depende, por um lado, da concatena\u00e7\u00e3o com outros processos em curso e, por outro, de ele pr\u00f3prio nascer processual, e n\u00e3o de forma estanque ou truncada\u201d.<\/em><\/strong> (&#8230;) <strong><em>Num processo participativo, quem n\u00e3o teve oportunidade de participar das tomadas de decis\u00e3o n\u00e3o tem nenhuma obriga\u00e7\u00e3o de participar de sua execu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 100).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Requisitos b\u00e1sicos para um planejamento eficaz:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m ainda \u00e9 freq\u00fcente copiar e adaptar, quase implantar, experi\u00eancias que \u2018deram certo\u2019 em certo lugar, em situa\u00e7\u00e3o diferente. O pior \u00e9 quando chega o inevit\u00e1vel fracasso, ainda tem-se a coragem de culpar o grupo. N\u00e3o deu certo porque l\u00e1 o grupo \u00e9 mais preparado, mais comprometido, etc<strong><em>. \u201cDo ponto de vista pedag\u00f3gico, h\u00e1 alguns desafios para enfrentar: recriar a metodologia, fazendo-a pr\u00f3pria; superar o amadorismo; n\u00e3o queimar etapas; privilegiar o processo, e n\u00e3o os resultados; n\u00e3o copiar, antes ser original, inculturar\u201d. <\/em><\/strong>(Pg. 101). (&#8230;) <strong><em>insistimos em que m\u00e9todos n\u00e3o se transplantam, mas se criam e recriam. Ao transplant\u00e1-lo, pomos o processo em fun\u00e7\u00e3o dele. Ao recri\u00e1-lo, estamos pondo-o a servi\u00e7o da a\u00e7\u00e3o evangelizadora, que tem nas pessoas suas protagonistas\u201d. <\/em><\/strong> (&#8230;) <strong><em>\u201cSem dominar o m\u00e9todo, sem conhec\u00ea-lo por dentro, sem t\u00ea-lo experienciado, dificilmente sua recria\u00e7\u00e3o n\u00e3o resultar\u00e1 num empobrecimento seu\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 102).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem chegar sozinho no lugar planejado, chega derrotado. Deixa muitos ca\u00eddos \u00e0 beira do caminho. Matou o processo. <strong><em>\u201cNum processo participativo, os extremos s\u00e3o nocivos: os que ficam sozinhos, atr\u00e1s, e os que avan\u00e7am sozinhos na frente. \u00c9 um paradoxo, mas, ao caminhar com todos, vai-se mais devagar, mas chega-se antes\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 105). Esse \u00e9 um importante alerta para quem usa a primeira pessoa do singular. Tudo \u00e9 eu ou \u00e9 meu, minha. Sem, de forma alguma, defender a aliena\u00e7\u00e3o, a imers\u00e3o no mundinho e o ilhamento com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade maior, \u00e9 momento de lembrar a c\u00e9lebre frase de Tolstoi: \u201cfale de sua aldeia e seja universal\u201d. <strong><em>\u201cSem discernimento cr\u00edtico, corremos o risco de ignorar o nosso pr\u00f3prio ninho. Ignorar a realidade n\u00e3o \u00e9 necessariamente n\u00e3o ter vis\u00e3o da realidade, \u00e9 tamb\u00e9m ter vis\u00e3o err\u00f4nea ou equivocada dela\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 111). O ser humano \u00e9 o protagonista da a\u00e7\u00e3o no mundo. Ou n\u00e3o ter\u00e1 outro. A natureza, as empresas, sobretudo multinacionais, s\u00e3o culpabilizadas pelas trag\u00e9dias do mundo. Quem \u00e9 que interfere na natureza e administra as empresas? <strong><em>\u201cAs a\u00e7\u00f5es precedem as estruturas, tal como a miss\u00e3o precede a institui\u00e7\u00e3o, para a qual esta foi criada\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 116). Antes das empresas j\u00e1 havia homens\/mulheres e os homens\/mulheres n\u00e3o podem mais ser vistos separados da natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u201cPartindo da a\u00e7\u00e3o o planejamento precisa retornar a a\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/strong><em><strong> <\/strong><\/em>(Pg. 118)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem muitos projetos parados, engavetados, a espera da condi\u00e7\u00e3o ideal. Muito se espera e se trava processos, at\u00e9 se interrompe, a espera da pessoa ideal, da pessoa certa para coorden\u00e1-lo ou para execut\u00e1-lo<strong><em>. \u201cSer humano ideal n\u00e3o existe. Por mais realista que se seja, ao desenhar o perfil da pessoa ideal para desempenhar determinada fun\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se pode prever certos imprevistos ou certos limites, imposs\u00edveis de ser previamente contemplados\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 117). Diz-se que um homem esperou cinq\u00fcenta anos para encontrar a mulher ideal, perfeita, para se casar. Quando a encontrou, fez festa e convidou amigos, mas ela tamb\u00e9m procurava o homem ideal, perfeito. E n\u00e3o era ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ser humano ideal parece ser aquele com o qual agente constr\u00f3i um processo, uma rela\u00e7\u00e3o. Onde h\u00e1 confian\u00e7a m\u00fatua, liberdade, cumplicidade e principalmente objetivos semelhantes. <strong><em>\u201cO planejamento participativo quer ser, antes de tudo, um processo de pensar a c\u00e3o \u2013 antes, durante e depois dela \u2013 e de tomada de decis\u00e3o partilhada, j\u00e1 falamos da implica\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica de privilegiar o processo que os resultados\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 119).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande contribui\u00e7\u00e3o do professor Brighenti \u00e9 nos despertar para alguns fatos e v\u00edcios, obviedades, \u00e9 verdade, mas que passam batido no dia a dia. <strong><em>\u201cComo se pode perceber, o diagn\u00f3stico \u00e9 a conclus\u00e3o do processo de apreens\u00e3o da realidade, expressa num ju\u00edzo comparativo entre o \u2018como est\u00e1\u2019 e o \u2018como deveria estar\u2019\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 125). Ainda nos desperta para a atualidade dos temas e das a\u00e7\u00f5es<strong><em>. \u201cPodem at\u00e9 ser profundas respostas e boas perguntas. Mas como se trata de perguntas que ningu\u00e9m mais faz, n\u00e3o servem para fazer hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/strong> (Pg. 126). S\u00e3o perguntas mofadas, ultrapassadas, que n\u00e3o podem ter respostas atuais, que oxigenem o processo a ser desencadeado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As contribui\u00e7\u00f5es do professor Brighenti aos movimentos sociais, \u00e0s lutas por justi\u00e7a social e por liberdade, encampadas em tantos lugares e de tantas formas diferentes, \u00e9 extraordin\u00e1ria. As obviedades que ele nos traz e que muitas vezes se quer as vemos, chegam a impressionar. O simples fato de nos lembrar que as pessoas precedem as entidades \u00e9 significativo. Freq\u00fcentemente esquecemos at\u00e9 isto. Remete-nos a relembrar, principalmente, que, s\u00e3o as pessoas que formam essas entidades e institui\u00e7\u00f5es. Ainda, que essas entidades devem est\u00e1 a servi\u00e7o das pessoas e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Imperativo este tamb\u00e9m tantas vezes invertido. As pessoas \u00e9 que s\u00e3o colocadas a servi\u00e7o delas. Quase instrumentalizadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o temporal defendida pelo professor Brighenti, parece-nos t\u00e3o obvia quanto ainda rara de se ver. Ter os p\u00e9s no ch\u00e3o, na realidade, ter os olhos no horizonte, no futuro, mas ter a coragem de \u201csujar\u201d as m\u00e3os. Agir concretamente. Viver o presente. Tratar diferentemente coisas que s\u00e3o diferentes. Privilegiar o processo sem \u201cempurrar com barriga\u201d as exig\u00eancias imediatas. A pr\u00e1xis, A\u00c7\u00c3O, REFLEX\u00c3O, A\u00c7\u00c3O, proposta por Paulo Freire, aqui para o professor Brighenti, \u00e9 sin\u00f4nimo de VER, JULGAR, AGIR, nas Comunidades Eclesiais de Base &#8211; CEBs. E prop\u00f5e, \u201cVER\u201d analiticamente, JUGAR teologicamente, pois se dirige \u00e0 igreja e as pastorais, e AGIR pastoralmente. Planejamento n\u00e3o \u00e9 o fim, mas um meio, n\u00e3o pode ser guardado na gaveta e esquecido. O que dar unidade a a\u00e7\u00e3o, nos lembra Brighenti s\u00e3o os objetivos, n\u00e3o as a\u00e7\u00f5es. Traz um conceito de participa\u00e7\u00e3o que se perdeu no tempo. \u00c9 mais que estar presente, que assinar a lista de presen\u00e7a, \u00e9 tornar-se parte. \u00c9 sentir-se parte. Especialmente a Rede de Educa\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 \u2013 RECID \u2013 com sua proposta ousada de vivenciar planejamentos participativos, avalia\u00e7\u00f5es processuais e permanentes, gest\u00f5es compartilhadas, \u00e9 oportuno ler as reflex\u00f5es do professor Brighenti.<\/p>\n<p><strong>BRIGHENTI<\/strong>, Agenor. Reconstruindo a Esperan\u00e7a \u2013 Como Planejar a A\u00e7\u00e3o da Igreja em Tempos de Mudan\u00e7a. PAULUS, 3\u00aa Edi\u00e7\u00e3o, 2000.<br \/>\nBras\u00edlia, 06 de Janeiro de 2010.<br \/>\nJo\u00e3o Santiago \u2013 Poeta e Militante.<br \/>\n\u00c9 autor do livro \u201cChuvas de Prata \u2013 Reflex\u00f5es de um Poeta\u201d \u2013 entre outros. \u00c0 venda nas livrarias Curitiba.<br \/>\n<a href=\"mailto:poesiaemilitancia@yahoo.com.br\">poesiaemilitancia@yahoo.com.br<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/poetaemilitante.blog.terra.com.br\/\">http:\/\/poetaemilitante.blog.terra.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>REINVENTAR O PASSADO \u2013 RECRIAR A UTOPIA \u201cS\u00f3 abrem novos caminhos os que teimam em reinventar o passado\u201d. (Agenor Brighenti) Temos um velho h\u00e1bito de relativisar, ignorar, quando n\u00e3o esquecer o passado. 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