﻿{"id":1928,"date":"2020-01-03T11:56:35","date_gmt":"2020-01-03T14:56:35","guid":{"rendered":"http:\/\/vitor.6te.net\/?p=1928"},"modified":"2020-01-03T13:20:18","modified_gmt":"2020-01-03T16:20:18","slug":"o-espirito-santo-segundo-leonardo-boff","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vitor.6te.net\/?p=1928","title":{"rendered":"O ESP\u00cdRITO SANTO SEGUNDO LEONARDO BOFF"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Resumo:<\/strong> O presente artigo\nmostra alguns aspectos do Esp\u00edrito Santo que podem ser vistos na obra teol\u00f3gica\nde Leonardo Boff, um dos nomes mais representativos da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o\nno Brasil. Nas suas obras \u00e9 poss\u00edvel verificar uma rela\u00e7\u00e3o entre o Esp\u00edrito\nSanto e o mundo, o ser humano e a Igreja, sem que qualquer ponto da\npneumatologia desenvolvida durante os s\u00e9culos seja diminu\u00eddo ou menosprezado.\nBoff consegue evidenciar a atua\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo como Pessoa da comunh\u00e3o\ndivina que impulsiona a transforma\u00e7\u00e3o da realidade at\u00e9 o fim dos tempos rumo ao\nAmor eterno de Deus, mesmo que os homens n\u00e3o se deem conta disso ou at\u00e9\nesque\u00e7am da exist\u00eancia do Esp\u00edrito Santo em suas concep\u00e7\u00f5es religiosas e de\nmundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> Esp\u00edrito\nSanto, Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, Igreja, ser humano, mundo<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos Evangelhos\ns\u00e3o poucas as vezes que Jesus fala sobre o Esp\u00edrito Santo no sentido moderno de\nexplicar o que ele \u00e9; nalgumas, o Esp\u00edrito aparece como uma promessa a ser\ncumprida ap\u00f3s a ressurrei\u00e7\u00e3o (como em Jo 14, 16-17.26)<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>,\nou seja, como Algu\u00e9m que vir\u00e1; noutras, como algo que Jesus possui, dado pelo\nPai para sua miss\u00e3o hist\u00f3rica, e no qual ele age realizando as promessas\nmessi\u00e2nicas (em Mt 3,16 e similares). Ap\u00f3s os eventos de Pentecostes com os ap\u00f3stolos\n(At 2,1-4) e com os gentios (At 10,44-48), a a\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os \u00e9 caracterizada\ncomo uma a\u00e7\u00e3o <em>no<\/em> Esp\u00edrito, que os enche para transmitir a mensagem de\nJesus aos judeus e aos demais povos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao passo dos\nanos, entre persegui\u00e7\u00f5es e difus\u00e3o do Evangelho, ao lado da catequese sobre o\nPai e sobre o Filho Jesus Cristo amparada nos escritos neotestament\u00e1rios,\naparece a catequese sobre o Esp\u00edrito Santo descrevendo os entendimentos dos\ncrist\u00e3os a respeito da sua proced\u00eancia, da sua miss\u00e3o e dos seus atributos ou\naspectos, \u00e0 luz dos Evangelhos e com o apoio da experi\u00eancia crist\u00e3 acumulada\nat\u00e9 o momento. Escritores crist\u00e3os como Or\u00edgenes, Atan\u00e1sio, Tertuliano, Bas\u00edlio\n(em <em>Tratado sobre o Esp\u00edrito Santo<\/em>), Agostinho (em <em>Sobre a Trindade<\/em>),\nJo\u00e3o Cris\u00f3stomo, entre muitos outros, se dedicaram a explicar sobre o Esp\u00edrito\nSanto dentro das longas disputas sobre a Sant\u00edssima Trindade travadas com\noutras linhas de pensamento tachadas como her\u00e9ticas em v\u00e1rios conc\u00edlios at\u00e9 o\noitavo s\u00e9culo convocados para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas doutrinais.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos conflitos\nmais longos a respeito do Esp\u00edrito Santo ocorreu desde os primeiros s\u00e9culos\nentre os orientais (ou gregos) e os ocidentais (ou latinos), em rela\u00e7\u00e3o \u00e0\nproced\u00eancia do Esp\u00edrito, se Ele vem do Pai pelo Filho ou se vem do Pai e do\nFilho; enquanto que os orientais centralizaram no Pai a proced\u00eancia e\nradicalizaram essa centralidade, os ocidentais reivindicaram a proced\u00eancia no\nPai e no Filho, uma vez que ambos s\u00e3o pessoas ou rela\u00e7\u00f5es do mesmo Deus \u00danico,\ne tendo Tom\u00e1s de Aquino como grande sistematizador da doutrina sobre o Esp\u00edrito\nSanto na obra <em>Tratado contra os erros dos Gregos<\/em>. Nota-se que ambos os\nlados da quest\u00e3o possuem sua fundamenta\u00e7\u00e3o baseada na B\u00edblia e refor\u00e7am suas\nposi\u00e7\u00f5es conforme o modo de pensar pr\u00f3prio de suas culturas, o que torna o\ntrabalho de reaproxima\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica mais longo e cuidadoso.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema do\nEsp\u00edrito Santo volta a ter relevo no Magist\u00e9rio em 1897 com a enc\u00edclica <em>Divinum\nIllud Munus<\/em> de Le\u00e3o XIII, onde s\u00e3o tratados o mist\u00e9rio da Trindade e o\nEsp\u00edrito Santo na vida da Igreja, sua presen\u00e7a em cada batizado e seus dons e\nfrutos recebidos atrav\u00e9s dos sacramentos. Nas vers\u00f5es do Catecismo da Igreja\nCat\u00f3lica e nos comp\u00eandios ou manuais de teologia dogm\u00e1tica \u2013 entre estes a obra\n<em>Dogm\u00e1tica Cat\u00f3lica<\/em> do cardeal M\u00fcller \u2013 aparece o Esp\u00edrito Santo sendo\ntratado n\u00e3o apenas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Trindade, mas tamb\u00e9m com relativa\nespecificidade, sublinhando os seus atributos de modo separado dos atributos do\nPai e do Filho, obviamente sem trata-lo como um Deus a mais ou como uma criatura\nsubordinada ao Pai e ao Filho.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m a\nTeologia da Liberta\u00e7\u00e3o toca no tema do Esp\u00edrito Santo, elaborando aos poucos\numa \u201cpneumatologia da liberta\u00e7\u00e3o\u201d atrav\u00e9s de autores como Jos\u00e9 Comblin, Gustavo\nGuti\u00e9rrez, Victor Codina e Leonardo Boff. Sem deixar de lado a Tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3\npatr\u00edstica e o desenvolvimento teol\u00f3gico sobre o Esp\u00edrito Santo, esses autores\nse esfor\u00e7am para refletir a rela\u00e7\u00e3o entre o Esp\u00edrito e o contexto crist\u00e3o\nlatino-americano e, mais concretamente, a necessidade dos pobres e marginalizados\nda sociedade e superar as dificuldades mediante uma espiritualidade libertadora\nadequada ao tempo atual. Em pouqu\u00edssimas palavras, esses autores destacam a\nmanifesta\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo nas a\u00e7\u00f5es de transforma\u00e7\u00e3o, liberta\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o\nde vida plena dentro e a partir da comunidade eclesial, fonte e cultivadora da\nf\u00e9, da esperan\u00e7a e do amor-compromisso com a justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. O ESP\u00cdRITO SANTO E SEUS ATRIBUTOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia da\npesquisa a respeito do Esp\u00edrito Santo tem como um dos seus fundamentos a fala feita\npelo Papa Francisco dias antes da festa de Pentecostes em 2014, quando ele\nrelatou que a Terceira Pessoa da Trindade \u00e9 o grande esquecido e exortou os\nfi\u00e9is a pedirem a Deus que o Esp\u00edrito Santo seja conservado em cada um (ZENIT,\n2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fundamento\nvem do que \u00e9 proclamado nas f\u00f3rmulas do credo apost\u00f3lico (\u201ccreio no Esp\u00edrito\nSanto\u201d) e do credo niceno-constantinopolitano (\u201cCreio no Esp\u00edrito Santo, Senhor\nque d\u00e1 a vida, e procede do Pai; e com o Pai e o Filho \u00e9 adorado e glorificado:\nEle que falou pelos profetas\u201d); cabe ao te\u00f3logo perguntar-se: al\u00e9m do que o\ncredo aponta sobre o Esp\u00edrito Santo, o que mais Ele fez no mundo? Como ou por\nmeio de quem Ele tem se mostrado ou revelado? De que maneira o cosmos, a Igreja\ne cada ser humano manifestariam a presen\u00e7a d\u2019Ele?<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalta-se\ntamb\u00e9m que a simples palavra \u201cesp\u00edrito\u201d possui diferentes maneiras de ser\nentendida nas diversas culturas (hebraica, grega, latina, afro-brasileira,\netc.), conforme as experi\u00eancias de fundo que as pessoas dessas culturas tiveram\nao longo dos anos (BOFF, 2013, p. 75); como o Cristianismo encontra nas\nculturas o suporte lingu\u00edstico para se difundir, faz-se necess\u00e1rio substituir\nas intepreta\u00e7\u00f5es conflituosas entre o Esp\u00edrito Santo e \u201cesp\u00edritos\u201d, usando os\nescritos do Novo Testamento como base para entender e afirmar a dimens\u00e3o\ndin\u00e2mica, impulsionadora, viva e vivificante do Esp\u00edrito Santo na e pela Igreja\ndesde o evento de Pentecostes.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, nas\nseguintes p\u00e1ginas ser\u00e3o informados alguns dos atributos do Esp\u00edrito Santo conforme o pensamento de Leonardo Boff,\nmostrando como o autor descreve a presen\u00e7a desses atributos no cosmos, no ser\nhumano e na Igreja, com a expectativa de evidenciar aos leitores a atualidade e\na necessidade das reflex\u00f5es sobre o Esp\u00edrito Santo para o crescimento da\nIgreja.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2.1 O Esp\u00edrito Santo no cosmos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em todos os povos do mundo \u00e9 poss\u00edvel\nencontrar uma maneira de se descrever o universo, sua ordem, suas origens e seu\ndestino. N\u00e3o foi diferente com o povo hebreu, que deixou por escrito suas\nconsidera\u00e7\u00f5es sobre o surgimento do universo no livro de G\u00eanesis, cujos\nprimeiros vers\u00edculos descrevem o Esp\u00edrito pairando sobre a desordem ou caos e\nsua a\u00e7\u00e3o na transforma\u00e7\u00e3o dessa em um conjunto vivo e organizado. Segundo Boff,\na presen\u00e7a do Esp\u00edrito \u00e9 fundamental para dar origem ao universo tal qual o\npodemos experimentar e \u00e0 vida em todas as suas formas, desde as esp\u00e9cies de\nvegetais, passando pela cria\u00e7\u00e3o e posterior destrui\u00e7\u00e3o dos dinossauros at\u00e9 a\nforma\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a humana:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>O Esp\u00edrito perpassa sempre a hist\u00f3ria, mas irrompeu especialmente nos momentos cr\u00edticos, seja do universo, seja da humanidade, seja na vida individual das pessoas. [&#8230;] Foi Ele que presidiu o sutil\u00edssimo equil\u00edbrio de todos os fatores, sem os quais n\u00e3o haveria a expans\u00e3o das energias fundamentais, nem a mat\u00e9ria [&#8230;], nem o surgimento das grandes estrelas vermelhas. [&#8230;] O Esp\u00edrito estava presente no momento em que a mat\u00e9ria alcan\u00e7ou alta complexidade, que permitiu a irrup\u00e7\u00e3o da vida [&#8230;]. Especialmente estava presente quando h\u00e1 65 milh\u00f5es de anos, no cret\u00e1ceo, um imenso meteoro de 9,7km caiu na regi\u00e3o do Caribe e produziu um verdadeiro <em>armagedon<\/em> ecol\u00f3gico [&#8230;]. Depois dessa dizima\u00e7\u00e3o, como que se vingando, ocorreu a maior florada de biodiversidade da hist\u00f3ria da Terra. [&#8230;] Foi a partir de ent\u00e3o que o Esp\u00edrito densificou de modo singular\u00edssimo a sua presen\u00e7a ao fazer emergir do mundo animal o ser humano, portador de consci\u00eancia, de intelig\u00eancia e de capacidade de amor e de cuidado. (BOFF, 2013, pp.13-15)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essa considera\u00e7\u00e3o sobre a presen\u00e7a do\nEsp\u00edrito nos atos de cria\u00e7\u00e3o deriva-se da concep\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria de Boff sobre Deus\ncomo uma unidade din\u00e2mica e relacional de Tr\u00eas Pessoas reveladas ao longo da\nhist\u00f3ria humana e da Terra e experimentadas nas dimens\u00f5es de transcend\u00eancia\n(Deus como refer\u00eancia \u00faltima e origem sem ser originado, ou seja, o Pai\ncriador), de iman\u00eancia (Deus que se encarna na humanidade e se revela como\nfraternidade universal para diviniza\u00e7\u00e3o do homem, ou seja, o Filho redentor) e\nde transpar\u00eancia (Deus como for\u00e7a de transfigura\u00e7\u00e3o do universo em rela\u00e7\u00f5es de\namor dentro da diversidade, ou seja, o Esp\u00edrito Santo santificador), que conduz\na proclama\u00e7\u00e3o de que \u201cno princ\u00edpio n\u00e3o est\u00e1 a solid\u00e3o do Uno mas a comunh\u00e3o das\ntr\u00eas divinas Pessoas\u201d. (BOFF, 1986, pp.21-39)<\/p>\n\n\n\n<p>A din\u00e2mica de Deus \u00e9 ent\u00e3o uma atua\u00e7\u00e3o que se\nrevela aos humanos na cont\u00ednua cria\u00e7\u00e3o do universo, ou seja, na \u201cg\u00eanese\npermanente do universo\u201d (BOFF, 2013, pp.181), a qual, gra\u00e7as \u00e0 presen\u00e7a do\nEsp\u00edrito, ocorre em est\u00e1gios a partir de uma predisposi\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o\niniciais at\u00e9 alcan\u00e7ar as fases contempor\u00e2neas de complexidade na vida e na\nconsci\u00eancia, sempre com interliga\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o entre todos os seres, que\npossuem as caracter\u00edsticas de serem diversificados, subjetivos ou conscientes\nde si, e inter-relacionados:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Tudo, portanto, est\u00e1 em movimento, relacionando-se e alcan\u00e7ando patamares mais complexos e altos. [&#8230;] O universo se sustenta pela for\u00e7a do princ\u00edpio cosmog\u00eanico, da coopera\u00e7\u00e3o entre todos, e n\u00e3o pela predomin\u00e2ncia do mais forte. A vida conseguiu penetrar todo o planeta Terra n\u00e3o pela elimina\u00e7\u00e3o dos diferentes, mas pela consorcia\u00e7\u00e3o entre eles, trocando energias e mat\u00e9ria. [&#8230;] Se o esp\u00edrito e a consci\u00eancia est\u00e3o em n\u00f3s, \u00e9 sinal que estavam antes no universo [que \u00e9] autoconsciente e est\u00e1 crescendo nesta consci\u00eancia na medida em que n\u00f3s vamos crescendo e alargando os horizontes de nossa mente e de nosso cora\u00e7\u00e3o. (BOFF, 2013, pp. 182-186)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essa concep\u00e7\u00e3o de Deus como Trindade de\nrela\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o est\u00e1 presente na B\u00edblia, escrito que perpetua a tradi\u00e7\u00e3o\njudaico-crist\u00e3, que \u201catribui ao Pai, mas particularmente ao Esp\u00edrito do Pai, a\ncria\u00e7\u00e3o e a ordena\u00e7\u00e3o do universo\u201d (BOFF, 2013, p. 187); estando presente do\nin\u00edcio ao fim (Gn 1,1; 2,7; Ap 22,17), Ele \u00e9 descrito pelo livro da Sabedoria\ncomo Aquele que enche todo o universo e que \u00e9 um sopro incorrupt\u00edvel presente\nem todas as coisas (Sb 1,7; 12,1). Mesmo sendo humanamente imposs\u00edvel ter uma\nrepresenta\u00e7\u00e3o perfeita do seu ser divino em imagens e palavras e de haver uma\ncompara\u00e7\u00e3o coerente com tudo e qualquer coisa existente, Boff aponta que a a\u00e7\u00e3o\ndo Esp\u00edrito Santo extrapola o c\u00edrculo trinit\u00e1rio e se lan\u00e7a para fora dela:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Ele atuou no big-bang, criando aquele equil\u00edbrio refinad\u00edssimo que permitiu o surgimento da mat\u00e9ria, das grandes estrelas vermelhas, das gal\u00e1xias e das estrelas de segunda e terceira gera\u00e7\u00e3o, os planetas, a Terra, os seres que ela cont\u00e9m e n\u00f3s mesmos. Ele empurrava para frente e para cima o processo evolucion\u00e1rio, a cosmog\u00eanese, quer dizer, a g\u00eanese do universo que ainda est\u00e1 se realizando e que n\u00e3o acabou de nascer totalmente. Ele est\u00e1 atr\u00e1s de tudo como o Propulsor e est\u00e1 \u00e0 frente como o grande Atrator, fazendo com que o universo, apesar dos muitos entre choques de gal\u00e1xias e extermina\u00e7\u00f5es em massa do capital bi\u00f3tico, sempre mantivesse uma seta apontando para formas mais complexas e ordenadas de seres. (BOFF, 2013, p.188)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Conforme a f\u00e9 crist\u00e3 professa no s\u00edmbolo\nniceno-constantinopolitano que Ele \u00e9 vida e vivificador ou gerador de vida, o\nEsp\u00edrito n\u00e3o poderia estar ausente da vida das bact\u00e9rias, das plantas, dos animais\ne dos humanos, estes que receberam o Esp\u00edrito soprado em suas narinas (Gn 2,7).\nCom isso, torna-se importante ressaltar como \u00e9 que tem acontecido a presen\u00e7a do\nEsp\u00edrito Santo na humanidade e alguns efeitos de sua atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2.2 O Esp\u00edrito Santo na humanidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estreitamente ligado com o universo est\u00e1 o\nser humano, parte dele e momento mais atual da cria\u00e7\u00e3o de Deus sempre cont\u00ednua\ne criativa. Em seus escritos, Boff retrata a rela\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito com a cria\u00e7\u00e3o\ndo cosmos e tamb\u00e9m se ocupa de mostrar que o Esp\u00edrito tamb\u00e9m age no mundo\nmediante as pessoas, que formam a Igreja (conforme ser\u00e1 visto mais adiante) e\nas institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de uma na\u00e7\u00e3o e do planeta inteiro com suas numerosas\ninter-rela\u00e7\u00f5es. Essa a\u00e7\u00e3o pode ser vista, semelhantemente aos atos da cria\u00e7\u00e3o,\ncomo algo que mistura constru\u00e7\u00e3o e desconstru\u00e7\u00e3o de sistemas para que haja a\ncaminhada de converg\u00eancia entre povos e culturas t\u00e3o distantes e distintas\nentre si:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Seria insuficiente qualquer an\u00e1lise mais profunda [das atua\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito na hist\u00f3ria] se n\u00e3o tribut\u00e1ssemos ao Esp\u00edrito Santo a derrocada do vasto Imp\u00e9rio Sovi\u00e9tico, constru\u00eddo sobre um socialismo de Estado ateu e desrespeitador dos direitos individuais. Surpreendentemente [&#8230;] a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica ruiu, sem passar por processos violentos de rebeli\u00f5es e de guerras civis. [&#8230;] Esse evento, com caracter\u00edsticas de mist\u00e9rio transcendente dentro da hist\u00f3ria, pois n\u00e3o foi previsto por nenhum analista de renome, liquidou com a divis\u00e3o entre os dois mundos; [&#8230;] fortaleceu o processo de globaliza\u00e7\u00e3o de vi\u00e9s ocidental e capitalista, com todos os reducionismos que implica. (BOFF, 2013, pp.22-23)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essa a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito n\u00e3o significa que Ele\ntenha tomado partido ou decidido por um ou outro sistema econ\u00f4mico, e sim que\nEle \u2013 \u201cEsp\u00edrito de unidade, de reconcilia\u00e7\u00e3o e de converg\u00eancia na diversidade\u201d\n(BOFF, 2013, p.24) \u2013 conduz a humanidade a descobrir-se como uma esp\u00e9cie \u00fanica,\nque tem um destino comum e cuja hist\u00f3ria est\u00e1 intimamente unida com a hist\u00f3ria\nda Terra. Os diversos movimentos humanos do F\u00f3rum Social Mundial, da Primavera\n\u00c1rabe, da crise financeira de 2008 que demonstrou o fiasco dos conglomerados\necon\u00f4micos em suas a\u00e7\u00f5es de desestabiliza\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de outros pa\u00edses, e\nda crescente consci\u00eancia ecol\u00f3gica e suas consequentes a\u00e7\u00f5es para tomar caminhos\nde vida sem a degrada\u00e7\u00e3o da natureza provocada pelo processo industrialista,\ntodos eles s\u00e3o vistos por Boff como atua\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito que desperta a\nhumanidade e a leva a decidir por outros caminhos de vida plena e solid\u00e1ria\nentre seres humanos e entre estes e a natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, sendo o Esp\u00edrito Santo \u201co Sopro (<em>Spiritus<\/em>\nem latim) que revela a vida, mant\u00e9m a vida e reanima toda a vida\u201d (BOFF, 2013,\np.244), e tendo Ele sido revelado aos ap\u00f3stolos e entendido pela tradi\u00e7\u00e3o\nteol\u00f3gica da Igreja como a Terceira Pessoa da Trindade que n\u00e3o \u00e9 separada do\nPai e do Filho, n\u00e3o os precede, os excede nem os reduz, uma vez que coexiste\neternamente em comunh\u00e3o e interpenetra\u00e7\u00e3o rec\u00edprocas (cf. BOFF, 1986, pp.170-171),\npode-se entender que o Esp\u00edrito Santo serve tanto de cr\u00edtica quanto de\ninspira\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade humana tomada individual ou coletivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto que na cultura propagada atualmente\nh\u00e1 \u201cno n\u00edvel da pessoa o predom\u00ednio do indiv\u00edduo, de seu desempenho isolado, de\nseus direitos compreendidos sem rela\u00e7\u00e3o com a sociedade\u201d, a comunh\u00e3o trinit\u00e1ria\nrevelada por Jesus no Esp\u00edrito Santo, \u201caberta para al\u00e9m das pr\u00f3prias Pessoas\nincluindo a cria\u00e7\u00e3o\u201d, aparece como um convite para a pessoa humana manter-se\nconstante e ativamente em um conjunto de rela\u00e7\u00f5es nas quais ela dirige sua\naten\u00e7\u00e3o \u201cpara a sua origem (para tr\u00e1s e para cima) no mist\u00e9rio abissal do Pai,\npara os seus semelhantes (para os lados) revelando-se nos outros e acolhendo a\nrevela\u00e7\u00e3o dos outros no mist\u00e9rio do Filho, para dentro de si mesma em sua\ninterioridade no mist\u00e9rio do Esp\u00edrito Santo\u201d. (BOFF, 2013, p.232).<\/p>\n\n\n\n<p>As sociedades modernas capitalistas e\nsocialistas apresentaram, na vis\u00e3o de Boff, graves desvios em rela\u00e7\u00e3o a este\nideal de comunh\u00e3o trinit\u00e1ria; os regimes liberais-capitalistas s\u00e3o formados\npelo dom\u00ednio da classe burguesa e a imposi\u00e7\u00e3o de seus interesses, apoiados pelo\naparato de controle estatal, sobre uma imensa maioria de pessoas, que acabam\nsendo empobrecidas e marginalizadas pelas elites que transformam tudo em\nmercado, desde a natureza at\u00e9 a religi\u00e3o, vendo como patologia qualquer ind\u00edcio\nde caminho diferente ao que \u00e9 imposto; os regimes socialistas transformam a\ncomunh\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o de todos num sistema homogeneizador e massificador,\nou seja, feito de pessoas anuladas de suas diferen\u00e7as por um \u201cpartido que se\nentende como vanguarda da revolu\u00e7\u00e3o social e como o int\u00e9rprete do sentido da\nhist\u00f3ria\u201d (BOFF, 1986, p.188) e que age de cima para baixo. Em contraste a tudo\nisso,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>a Comunh\u00e3o trinit\u00e1ria \u00e9 fonte de inspira\u00e7\u00e3o para pr\u00e1ticas sociais. Especialmente os crist\u00e3os comprometidos com mudan\u00e7as estruturais da sociedade a partir das grandes maiorias pobres encontram na Tri-unidade a sua utopia eterna. Os tr\u00eas Diferentes afirmam a diferen\u00e7a um do outro; ao afirmar o outro e entregar-se totalmente a ele se constitui como Diferente em comunh\u00e3o. Na Trindade santa n\u00e3o h\u00e1 a domina\u00e7\u00e3o a partir de um p\u00f3lo, mas a converg\u00eancia dos Tr\u00eas numa rec\u00edproca aceita\u00e7\u00e3o e doa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o diferentes, mas ningu\u00e9m \u00e9 maior ou menor, antes ou depois do outro. Por isso uma sociedade que se deixa inspirar pela comunh\u00e3o trinit\u00e1ria n\u00e3o pode tolerar as classes, as domina\u00e7\u00f5es a partir de um poder (econ\u00f4mico, sexual ou ideol\u00f3gico) que submete e marginaliza os demais diferentes. (BOFF, 1986, p.189)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Na descri\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo com\na humanidade, n\u00e3o se pode deixar de lado a tradi\u00e7\u00e3o que o juda\u00edsmo tem e que\nserve como base ou raiz para a exist\u00eancia da atual sociedade ocidental. Boff\nsalienta que no Antigo Testamento o Esp\u00edrito n\u00e3o era concebido pelos judeus\ncomo uma Pessoa, mas sim como algo divino que transforma, impulsiona, age e que\nd\u00e1 a vida na cria\u00e7\u00e3o e nos seres humanos, ou como a presen\u00e7a do pr\u00f3prio Deus\nque conduz a cria\u00e7\u00e3o pela hist\u00f3ria afora. \u00c9 Ele quem se apodera de v\u00e1rios\npersonagens b\u00edblicos libertadores ou triunfantes como Jos\u00e9 (Gn 41,38), Mois\u00e9s\n(Nm 11,17), Sans\u00e3o (Jz 14,19), ou l\u00edderes pol\u00edticos como Saul (1Sm 10,10) e\nDavi (1Sm 16,13) que s\u00e3o ungidos como rei e, em tempos de dificuldades, \u00e9 \u201cinvestido\nde poder carism\u00e1tico para dirigir o povo, defender os pobres e garantir a paz\nna justi\u00e7a\u201d (BOFF 1986, p.234). O Esp\u00edrito tamb\u00e9m \u00e9 quem suscita os profetas a\nexemplo de Ezequiel (Ez 3,14) e Miqu\u00e9ias (Mq 3,8), os inspira a denunciar a\nqueda dos l\u00edderes na sedu\u00e7\u00e3o do poder abusivo e a manterem-se firmes mesmo na\npersegui\u00e7\u00e3o e no mart\u00edrio; um dos profetas, Isa\u00edas, diz que o Servo Sofredor\n(Is 61,1ss), identificado como o Messias e com caracter\u00edsticas distantes das do\nrei por sua humildade extrema, receber\u00e1 a plenitude do Esp\u00edrito para libertar\nos pobres das opress\u00f5es e injusti\u00e7as gra\u00e7as ao seu sofrimento. Por fim, nas\nprofecias de Ezequiel (Ez 36,26-27) e de Joel (Jl 3,1ss), o Esp\u00edrito vir\u00e1 sobre\ncada pessoa, renovando-lhe o cora\u00e7\u00e3o e ajudando-lhe na constru\u00e7\u00e3o de uma nova\nhumanidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2.3 O Esp\u00edrito Santo na Igreja<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir do que se l\u00ea nos Atos dos Ap\u00f3stolos,\na Igreja pode ser vista como uma esp\u00e9cie de sociedade que herdou v\u00e1rias\ntradi\u00e7\u00f5es da sociedade judaica e que foi tomando corpo e se consolidando historicamente\na partir do evento da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, ou como a \u201ccomunidade de f\u00e9,\nesperan\u00e7a e amor que procura viver o ideal de uni\u00e3o proposto pelo pr\u00f3prio Jesus\nCristo\u201d (BOFF, 1996, p.82) formada no dia de Pentecostes posterior \u00e0 P\u00e1scoa de\nJesus, quando o Esp\u00edrito Santo irrompeu sobre os primeiros disc\u00edpulos dele\nreunidos em Jerusal\u00e9m e fez com que povos de l\u00ednguas diferentes ouvissem pela\nprimeira vez o an\u00fancio dos fatos de Jesus Cristo e seu significado, dando\nin\u00edcio \u00e0 convers\u00e3o das na\u00e7\u00f5es \u00e0 f\u00e9 na Trindade e ao derramamento do Esp\u00edrito conforme\na profecia de Joel indicava aos judeus no Antigo Testamento (cf. At 2, 1-41). \u00c9\ngra\u00e7as a essa presen\u00e7a criativa e renovadora do Esp\u00edrito Santo que Boff lembra\nque \u201ca Igreja vive do Esp\u00edrito, \u00e9 o sacramento do Esp\u00edrito\u201d (BOFF, 2013,\np.201).<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito formando a Igreja\nn\u00e3o \u00e9 algo pontual ocorrido no evento de Pentecostes, e sim um impulso cont\u00ednuo\ndesde os eventos da encarna\u00e7\u00e3o de Cristo, cujo conhecimento permitiu aos\nap\u00f3stolos entenderem o Esp\u00edrito criador como aquele que tamb\u00e9m renova a cria\u00e7\u00e3o\nde modo inimagin\u00e1vel: Ele encheu Jo\u00e3o Batista para preparar a vinda do Messias\n(Lc 1,15) e encheu sua m\u00e3e Isabel ao receber a visita de sua prima Maria (Lc 1,\n41), virgem \u201csanta pela santidade do pr\u00f3prio Esp\u00edrito Santo\u201d, escolhida por Ele\n\u201cpara Ele mesmo brilhar dentro da cria\u00e7\u00e3o e santificar todas as coisas\u201d (BOFF,\n2009, p.79), que j\u00e1 estava gr\u00e1vida pela a\u00e7\u00e3o d\u2019Ele (Mt 1,18) como dissera o\nanjo Gabriel (Lc 1,35) e assim conceber Jesus. Este teve toda a sua vida\np\u00fablica conectada com o Esp\u00edrito, que o impele nas prega\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es junto ao\nseu povo e aos seus disc\u00edpulos, que paira sobre ele durante o batismo feito por\nJo\u00e3o Batista (Mc 1,9-11), que o ressuscita dentre os mortos (1Tm 3,16) e \u00e9 por\nele enviado em Pentecostes. Assim, Boff salienta que:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>A atua\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo \u00e9 eminentemente criadora, voltada para o futuro. Toda cria\u00e7\u00e3o implica ruptura, crise do estabelecido e abertura para o ainda n\u00e3o conhecido e ensaiado. O Esp\u00edrito liberta da obsess\u00e3o da origem e do desejo de voltar ao \u00fatero paradis\u00edaco, cujo acesso est\u00e1 definitivamente fechado (cf. Gn 3,23). Ele nos move para a terra prometida e para o destino que se deve construir e revelar no amanh\u00e3. (BOFF, 1986, p.235)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para que os disc\u00edpulos sejam os construtores\nde um novo mundo, o Esp\u00edrito atua recordando os atos e falas de Jesus durante\nseu apostolado e sua aplica\u00e7\u00e3o nos mais diversos momentos da vida deles: o\nEsp\u00edrito Santo ensinar\u00e1 e lembrar\u00e1 tudo aos disc\u00edpulos (Jo 14,26), manifestando\ne interpretando o que recebeu do que \u00e9 do Pai e do Filho (Jo 16,13-15) para que\neles deem testemunho de Jesus (Jo 15,26-27). Ao conduzir os fi\u00e9is a serem\nfilhos de Deus no Filho (Rm 8,14) e fazer com que os fi\u00e9is acolham o Filho na\ncarne (1Jo 4,2), aceitando a forma de humilde servidor e de um profeta e m\u00e1rtir\ncom a qual Jesus se revelou,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>O Esp\u00edrito nos faz viver filialmente no seguimento do Filho encarnado, impedindo o esquecimento da simplicidade, da humildade, da coragem prof\u00e9tica, da mentalidade de servi\u00e7o, da rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com o Pai que o caracterizam. Miss\u00e3o do Esp\u00edrito consiste em atualizar permanentemente o significado da encarna\u00e7\u00e3o como processo mediante o qual Deus-Filho assume a hist\u00f3ria com suas transforma\u00e7\u00f5es e a faz hist\u00f3ria santa, hist\u00f3ria da Sant\u00edssima Trindade. O Esp\u00edrito conserva a continuidade entre o \u201caquele tempo\u201d quando irrompeu o Filho na carne e o hoje da hist\u00f3ria. As potencialidades da filia\u00e7\u00e3o divina e da inser\u00e7\u00e3o da humanidade no mist\u00e9rio trinit\u00e1rio n\u00e3o foram ainda totalmente explicitadas. Compete ao Esp\u00edrito desdobrar e realizar nas culturas [&#8230;] a significa\u00e7\u00e3o divina e humana deste fato \u00fanico na hist\u00f3ria. (BOFF, 1986, p.236)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Tendo recebido o Esp\u00edrito, a Igreja se\nconstr\u00f3i pouco a pouco sobre a f\u00e9, a celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e o ordenamento interno\nvisando a coes\u00e3o dos membros, a caridade e a miss\u00e3o no mundo humano, agindo em\nfavor da liberta\u00e7\u00e3o do ser humano contra as opress\u00f5es do pecado, tamb\u00e9m chamado\nde instintos ego\u00edstas (Gl 5,17) ou carne (Ef 2,3) na B\u00edblia; diante dos\nprojetos de interesse individual, de exclus\u00e3o social e cultural e de opress\u00e3o religiosa,\nque fazem os pobres e indefesos padecerem, a Igreja \u00e9 um instrumento do\nEsp\u00edrito para libertar e dar for\u00e7a, coragem e criatividade aos sofredores, pois\nEle \u201cfaz romper os horizontes que encarceram o esp\u00edrito, rompe os grilh\u00f5es\nmediante as pr\u00e1ticas libert\u00e1rias dos oprimidos, mant\u00e9m viva a esperan\u00e7a e aceso\no esp\u00edrito ut\u00f3pico de um mundo sem domina\u00e7\u00f5es e regrado pela justi\u00e7a e pela\nfraternidade.\u201d (BOFF, 1986, p.237)<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo o que a Igreja-comunidade faz se deve \u00e0\ndiversidade de servi\u00e7os e dons que aparecem nas pessoas que a comp\u00f5em e que, na\ncomunh\u00e3o das diferen\u00e7as suscitadas pelo Esp\u00edrito, s\u00e3o destinados ao bem da\npr\u00f3pria comunidade e nunca para a acentua\u00e7\u00e3o do individualismo ou da\nglorifica\u00e7\u00e3o de uma ou mais pessoas. Em todos os servi\u00e7os dedicados \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o\ne fortalecimento da comunidade (catequese, prepara\u00e7\u00e3o, liturgia, visita aos\ndoentes, etc.) e \u00e0 materializa\u00e7\u00e3o da proposta crist\u00e3 na sociedade civil por\nmeio de institui\u00e7\u00f5es como associa\u00e7\u00f5es e partidos pol\u00edticos, se verifica a\nafirma\u00e7\u00e3o de Paulo de que \u201cexistem dons diferentes, mas o Esp\u00edrito \u00e9 o mesmo [&#8230;].\nCada um recebe o dom de manifestar o Esp\u00edrito para a utilidade de todos. Mas \u00e9\no \u00fanico e mesmo Esp\u00edrito quem realiza tudo isso, distribuindo os seus dons a\ncada um, conforme ele quer\u201d (1Cor 12, 4-7.11) como Sujeito que se entrega e d\u00e1\na vida. Em outras palavras:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>A multiformidade de express\u00f5es de vitalidade e de servi\u00e7os na comunidade n\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a \u00e0 unidade, mas uma oportunidade de enriquecimento para todos. A comunh\u00e3o n\u00e3o recalca nem reduz a uma as v\u00e1rias diferen\u00e7as, mas as integra na perspectiva do bem comum. Esta unidade \u00e9 obra do Esp\u00edrito. O que se op\u00f5e ao carisma n\u00e3o \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 o ego\u00edsmo, a prepot\u00eancia de uns sobre os outros, a vontade de poder que usurpa o carisma dos outros. Tais atitudes s\u00e3o atentat\u00f3rias \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da comunidade, exatamente, porque implicam a ruptura da comunh\u00e3o. Com raz\u00e3o advertia Paulo: \u201cN\u00e3o extingam o Esp\u00edrito\u201d (1Ts 5,19)! (BOFF, 1986, p.239)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Por fim, \u00e9 importante sublinhar que, na\nIgreja, a dimens\u00e3o feminina do Esp\u00edrito Santo \u00e9 resgatada e posta em relevo,\nn\u00e3o como uma reflex\u00e3o feminista de supera\u00e7\u00e3o do machismo, mas como a\nexperi\u00eancia da Pessoa que renova todas as coisas sem menosprezar um g\u00eanero ou\noutro. No Antigo Testamento o Esp\u00edrito (<em>ruah<\/em> em hebraico, substantivo\nfeminino que significa sopro, vento) \u00e9 ligado a fun\u00e7\u00f5es ou a imagens femininas\n\u2013 desde o \u201cpairar do Esp\u00edrito por sobre as \u00e1guas do caos primitivo da cria\u00e7\u00e3o\nantes que houvesse ordem\u201d (BOFF, 1996, p.146) at\u00e9 a imagem da Sabedoria como mulher\n(Eclo 14,22), esposa e m\u00e3e (Eclo 12,26) e tamb\u00e9m igualada ao Esp\u00edrito (Sb 9,17)\n\u2013 e no Novo Testamento a terminologia feminina das fun\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito Santo\nrecebe acr\u00e9scimos: Ele \u00e9 o que exorta, ensina (Jo 14,26) e educa os filhos na\nora\u00e7\u00e3o e na forma de pedir (Rm 8,26), n\u00e3o deixando os filhos \u00f3rf\u00e3os (Jo 14,18)\ne transmite a eles que Jesus \u00e9 o Senhor (1Cor 12,2). Al\u00e9m disso,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>No corpo de Cristo que \u00e9 a Igreja, o Esp\u00edrito qual m\u00e3e concebe novos irm\u00e3os e irm\u00e3s de Jesus e enche de vida com carismas e servi\u00e7os as comunidades crist\u00e3s. [&#8230;] o Esp\u00edrito possui dimens\u00f5es femininas e masculinas, mas est\u00e1 para al\u00e9m dos sexos. Os valores que descobrimos no feminino presente na mulher e no var\u00e3o encontram no Esp\u00edrito Santo uma de suas fontes eternas. (BOFF, 1996, p.147)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>3. CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa e a escrita relativas aos\natributos do Esp\u00edrito Santo \u2013 quer em conjunto com as Pessoas do Pai e do\nFilho, quer em separado conforme as fontes b\u00edblicas e a tradi\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica\ndesenvolvida na Igreja \u2013 se mostram como atividades de grande complexidade\nsobretudo gra\u00e7as \u00e0 complexidade pr\u00f3pria do Esp\u00edrito tal qual Ele se nos revela\nao longo da hist\u00f3ria. Se, por um lado, a grande quantidade de escritos e\ntratados elaborados por autores crist\u00e3os ocidentais e orientais desafia o\nestudante de Teologia e o te\u00f3logo a se aprofundar no mist\u00e9rio do Esp\u00edrito e da\nSant\u00edssima Trindade, por outro lado os textos de Leonardo Boff s\u00e3o um\ninstrumento importante na contempla\u00e7\u00e3o e na reflex\u00e3o acerca de cada Pessoa da\nTrindade e, no caso do Esp\u00edrito, podem ajudar o leitor contempor\u00e2neo n\u00e3o apenas\na se aproximar da doutrina \u00e0 maneira cient\u00edfica, formal e distante do objeto de\nestudo, mas tamb\u00e9m a equilibrar os enunciados e significados da doutrina com a\npr\u00e1tica que, iluminada pelo Esp\u00edrito, dar\u00e1 ao mundo os frutos que Ele mesmo deu\naos disc\u00edpulos desde sua descida em Pentecostes.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito de outro modo, os atos de humilde e\nrespeitosa aproxima\u00e7\u00e3o da pessoa ao mist\u00e9rio do Esp\u00edrito s\u00e3o infinitamente\ninsuficientes para compreender e contemplar todas as informa\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias\nque os crist\u00e3os t\u00eam recebido ou constru\u00eddo sobre o Esp\u00edrito Santo ao longo dos\ns\u00e9culos, mas essas formula\u00e7\u00f5es e considera\u00e7\u00f5es formam uma base para que o\ncrist\u00e3o tenha uma aut\u00eantica espiritualidade, ou seja, uma vida coerente segundo\no Esp\u00edrito com algumas das caracter\u00edsticas a seguir: a inter-rela\u00e7\u00e3o entre os\ndemais seres formando uma complexa rede de vida que se expande sempre (tal qual\no cosmos); o esfor\u00e7o constante e solid\u00e1rio pelo direito dos seres humanos \u00e0\nvida plena, especialmente dos pobres, aqueles que t\u00eam seus direitos mais\nelementares negados pelos sistemas pol\u00edticos favor\u00e1veis \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o de bens em\ndetrimento das pessoas e do ambiente; a luta por uma vida liberta de todos os\nsistemas que aprisionam o ser humano em mecanismos como o do consumo e da\ncompeti\u00e7\u00e3o, e lhe negam a possibilidade de viver no amor universal e sem\nfronteiras com os demais seres humanos, impedindo que cada pessoa seja\nparticipante da natureza divina.<\/p>\n\n\n\n<p>Com essas ideias mencionadas no texto acima e\noutras tantas contidas em seus escritos, Boff ajuda o leitor a penetrar cada\nvez mais na contempla\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, fonte dos dons da sabedoria, da\nintelig\u00eancia, do conselho, da fortaleza, da ci\u00eancia, da piedade e do temor de\nDeus que fazem o ser humano embebido do Esp\u00edrito uma pessoa transformada e\nirradiadora de virtudes necess\u00e1rias para que a vida do mundo seja tamb\u00e9m\ntransformada \u00e0 imagem da Trindade ou, como se reza no in\u00edcio do hino \u201cVinde\nEsp\u00edrito Criador\u201d composto por Est\u00eav\u00e3o Langton, arcebispo de Cantu\u00e1ria no\ns\u00e9culo XIII (BOFF, 2013, p.254), que os cora\u00e7\u00f5es criados pelo Esp\u00edrito Criador\nsejam preenchidos pela gra\u00e7a divina.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BOFF, Leonardo. <em>A Trindade, a Sociedade e a Liberta\u00e7\u00e3o<\/em>.\n2\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Petr\u00f3polis: Vozes, 1986.<\/p>\n\n\n\n<p>_______. <em>A Sant\u00edssima Trindade \u00e9 a melhor Comunidade<\/em>.\n4\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Petr\u00f3polis: Vozes, 1996.<\/p>\n\n\n\n<p>_______. <em>A Ave-Maria: o feminino e o Esp\u00edrito Santo<\/em>.\n9\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Petr\u00f3polis: Vozes, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>_______. <em>O Esp\u00edrito Santo: fogo interior, doador de vida\ne Pai dos pobres<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>_______. <em>A Trindade e a Sociedade<\/em>. 6\u00aa edi\u00e7\u00e3o.\nPetr\u00f3polis: Vozes, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>_______. <em>Resgate da mem\u00f3ria do Esp\u00edrito Santo<\/em> (03\nmar. 2013). Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/leonardoboff.wordpress.com\/2013\/03\/03\/resgate-da-memoria-do-espirito-santo\/&gt;.\nAcesso em 28 fev. 2018<\/p>\n\n\n\n<p>_______. <em>O resgate da categoria esp\u00edrito<\/em> (18 fev.\n2013). Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/leonardoboff.wordpress.com\/2013\/02\/18\/o-resgate-da-categoria-espirito\/&gt;.\nAcesso em 26 fev. 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>_______. <em>O Esp\u00edrito no cosmos, no ser humano e em Deus<\/em>.\n(25 mai. 2012). Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/leonardoboff.wordpress.com\/2012\/05\/26\/o-espirito-no-cosmos-no-ser-humano-e-em-deus\/&gt;.\nAcesso em 23 fev. 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>_______. <em>Life of the spirit and ethics of the Earth and\nAntoine de Saint-Exup\u00e9ry<\/em>. (20 fev. 2016). Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/leonardoboff.wordpress.com\/2016\/02\/20\/life-of-the-spirit-and-ethics-of-the-earth-and-antoine-de-saint-exupery\/&gt;.\nAcesso em 21 fev. 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>_______. <em>Pentecostes hoje: o Esp\u00edrito que d\u00e1 vida contra\nos hostis \u00e0 vida<\/em> (08 jun. 2014). Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/leonardoboff.wordpress.com\/2014\/06\/08\/pentecostes-hoje-o-espirito-que-da-vida-contra-os-hostis-a-vida\/&gt;.\nAcesso em 19 fev. 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>_______. <em>The Dimension of Depth: the Spirit and\nSpirituality<\/em>. (08 set. 2012). Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/leonardoboff.wordpress.com\/2012\/09\/08\/the-dimension-of-depth-the-spirit-and-spirituality\/&gt;.\nAcesso em 17 fev. 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>ALBUQUERQUE, B. S., CORT\u00c9S, R. J. M. <em>Esp\u00edrito Santo:\nCaminho da Liberdade. Elementos de Pneumatologia da Liberta\u00e7\u00e3o em Bas\u00edlio,\nGuti\u00e9rrez, Boff e Codina<\/em>. Revista P\u00f3s-Escrito, n. 6, Rio de Janeiro, 2012,\np.3-20.<\/p>\n\n\n\n<p>BUSCH, A. M. R. Creer en el Esp\u00edritu Santo desde Am\u00e9rica\nLatina. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/teologicamente.com\/2011\/05\/creer-en-el-espiritu-santo-desde-america-latina\/&gt;.\nAcesso em 03 mar 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00dcLLER, G. L. <em>Dogm\u00e1tica Cat\u00f3lica: teoria e pr\u00e1tica da\nteologia<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>PAPA LE\u00c3O XIII. <em>Carta Enc\u00edclica Divinum Illud Munus:\nsobre la presencia y virtud admirable del Esp\u00edritu Santo<\/em>. Dispon\u00edvel em:\n&lt;http:\/\/w2.vatican.va\/content\/leo-xiii\/es\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_09051897_divinum-illud-munus.html&gt;.\nAcesso em 02 mar 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>RICHARD, P. <em>El Esp\u00edritu Santo en la teolog\u00eda de Jos\u00e9\nComblin<\/em>. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.pensamientocritico.info\/index.php\/articulos\/otros-autores\/espanol\/372-el-espiritu-santo-en-la-teologia-de-jose-comblin&gt;.\nAcesso em 01 mar 2018.<\/p>\n\n\n\n<p><em>CHARLE<\/em>S, C.R.O. <em>Manifesta\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito Libertador no\nContinente da Esperan\u00e7a: uma perspectiva de Jos\u00e9 Comblin<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o de\nMestrado \u2013 Departamento de Teologia, Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de\nJaneiro. Rio de Janeiro, 2011. 155p.<\/p>\n\n\n\n<p>ZENIT. <em>Homilia do Papa na casa Santa Marta: a voca\u00e7\u00e3o\ncrist\u00e3 \u00e9 permanecer no amor de Deus<\/em>. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/pt.zenit.org\/articles\/homilia-do-papa-na-casa-santa-marta-a-vocacao-crista-e-permanecer-no-amor-de-deus\/&gt;.\nAcesso em 30 mar 2018.<em><\/em><br><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Para as cita\u00e7\u00f5es b\u00edblicas, ser\u00e1\nusada a vers\u00e3o \u201cB\u00edblia Pastoral\u201d mantida pela editora Paulus no endere\u00e7o\nhttp:\/\/www.paulus.com.br\/biblia-pastoral\/_INDEX.HTM. Acesso em 13 mai 2018.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo: O presente artigo mostra alguns aspectos do Esp\u00edrito Santo que podem ser vistos na obra teol\u00f3gica de Leonardo Boff, um dos nomes mais representativos da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o no Brasil. Nas suas obras \u00e9 poss\u00edvel verificar uma rela\u00e7\u00e3o entre o Esp\u00edrito Santo e o mundo, o ser humano e a Igreja, sem que qualquer ponto da pneumatologia desenvolvida durante os s\u00e9culos seja diminu\u00eddo ou menosprezado. Boff consegue evidenciar a atua\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo como Pessoa da comunh\u00e3o divina que impulsiona a transforma\u00e7\u00e3o da realidade at\u00e9 o fim dos tempos rumo ao Amor eterno de Deus, mesmo que os homens n\u00e3o se deem conta disso ou at\u00e9 esque\u00e7am da exist\u00eancia do Esp\u00edrito Santo em suas concep\u00e7\u00f5es religiosas e de mundo.<\/p>\n<p>Palavras-chave: Esp\u00edrito Santo, Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, Igreja, ser humano, mundo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1930,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,3,8,13,16],"tags":[117,116,24,34,44,47,115,114,118,111,112],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1928"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1928"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1928\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1929,"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1928\/revisions\/1929"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1930"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1928"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1928"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vitor.6te.net\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1928"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}